Fazendo Universo
“A tinta de escrever, por suas forças de alquímica tintura, por sua vida colorante, pode fazer um universo, se apenas encontrar seu sonhador.”
Gaston Bachelar
| | Comentar »Meu Velho
José / Piero – Vs. Nazareno de brito
É um bom tipo meu velho
Que anda só e carregando
Sua tristeza infinita
De tanto seguir andando
Eu o estudo desde longe
Porque somos diferentes
Ele cresceu com os tempos
Do respeito e dos mais crentes
Velho, meu querido velho
Agora caminha lento
Como perdoando o vento
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e o teu tempo
Seus olhos são tão serenos
Sua figura é cansada
Pela idade foi vencido
Mas caminha sua estrada
Eu vivo os dias de hoje
Em ti o passado lembra
Só a dor e o sofrimento
Tem sua história sem tempo
Velho, meu querido velho
Agora caminha lento
Como perdoando o vento
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e teu tempo
Velho, meu querido velho
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e teu tempo
Velho, meu querido velho
| | Comentar »Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo – Roberto Carlos
Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo…
E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,
Já correram tanto na vida,
Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento…
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive presente nas experiências
Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida.
Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo,
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto…
Olhando seus cabelos, tão bonitos,
Beijo suas mãos e digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
| | Comentar »Eros e Psiquê
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
| | Comentar »Samba da Bênção
Vinicius de Moraes / Baden Powell
Cantado
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Falado
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
Falado
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Falado
Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinicius de Moraes Poeta e diplomata
O branco mais preto do Brasil Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora A maior ialorixá da Bahia Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha Tu que choraste na flauta Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes Sambistas do Brasil Branco, preto, mulato Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim Parceiro e amigo querido Que já viajaste tantas canções comigo E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra Parceiro cem por cento Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell Amigo novo, parceiro novo Que fizeste este samba comigo A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos Não és um só, és tantos como O meu Brasil de todos os santos Inclusive meu São Sebastião Saravá! A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração
| | Comentar »Mentiras E Exageros No Currículo Podem Prejudicar O Candidato
Preparar um currículo adequado e atraente para concorrer à determinada vaga não é tarefa fácil. Muitas vezes, o candidato se vê pressionado pela necessidade do emprego, considerando sua falta de qualificação diante das exigências da empresa. Em decorrência desse fato, muitos pretendentes às posições disponíveis no mercado lançam mão de mentiras e exageros a fim de se tornarem competitivos diante de outros interessados por uma recolocação profissional.
A gerente de Recursos Humanos Andreia Tassiane Antonacci aponta que “a insegurança e a ansiedade por nova colocação no mercado faz com que o candidato adicione fatos inverídicos em seu currículo, pretendendo se aproximar o máximo possível da vaga oferecida”.
No entanto, a artimanha pode ser uma grande armadilha no momento da seleção, uma vez que os profissionais de recursos humanos e entrevistadores de maneira geral dificilmente não detectam uma mentira. Andreia Antonacci afirma que quando a farsa é feita dentro de exigências imprescindíveis para o desempenho do cargo, os dados são averiguados com precisão, o que resultará na eliminação do candidato em casos de inverdades.
A gerente de Recursos Humanos alerta que, além das mentiras, erros de português são recorrentes nos currículos, bem como exageros e até a falta de dados referenciais como, por exemplo, a conclusão de cursos, motivo da saída de empregos anteriores, salário e atividades exercidas, o que não favorece uma boa impressão para o preenchimento da vaga. “Um bom currículo deve fornecer impreterivelmente dados pessoais, formação, experiência profissional e conhecimentos técnicos. Por mais que a pessoa queira ‘rechear’ suas aptidões e habilidades, informações não pertinentes à vaga disponível não são bem-vindas”.
A mentira ou mesmo os exageros, ao contrário do que muitos pensam, podem prolongar o tempo de espera para a tão sonhada oportunidade de trabalho.
Fonte: http://www.crcsp.org.br/portal_novo/publicacoes/crc_sp_online.htm
| | Comentar »Já Se Livrou De Seu Mau Hábito Hoje?
Para estudo, vigiar é a atitude chave para se livrar de hábitos que não fazem bem. Mas há outras estratégias que podem funcionar
Vigiar-se, contar o tempo desperdiçado e evitar as fontes das tentações: vale tudo para abandonar os maus hábitos
Passar trinta minutos navegando à toa na internet antes de ir para o trabalho ou almoçar em restaurantes fast-food para economizar tempo são algumas atitudes que a maioria das pessoas já tomou. Mas quando estes comportamentos viram um problema, você sabe como se livrar deles? Segundo recente pesquisa publicada no Boletim de Psicologia Social e Personalidade, dos Estados Unidos, existem algumas estratégias que podem funcionar muito bem para dar um fim nos maus hábitos. No entanto, a primeira coisa a fazer é conscientizar-se deles.
No estudo, 99 estudantes norte-americanos registraram, durante um período de sete a 14 dias, todos os momentos em que tiveram que evitar um mau hábito ou controlar uma tentação. Os pesquisadores descobriram que os principais costumes indesejados eram a procrastinar e dormir ou comer em excesso. Mas como combatê-los? Vigiar-se, distrair-se com outras atividades e fugir dos possíveis estímulos que nos levam a um determinado hábito foram as estratégias mais utilizadas. E funcionaram.
O psicobiólogo e especialista em Medicina Comportamental Ricardo Monezi afirma que, em contrapartida, para que estas estratégias atinjam o objetivo, é preciso que a retirada de maus hábitos da vida aconteça gradualmente. “São táticas importantes que foram sugeridas, mas acrescentar bons hábitos em troca – e não instituí-los como uma regra, e sim como uma recompensa – é essencial”, explica ele. O principal, segundo o psicobiólogo, é evitar um mau hábito não por imposição da família ou de outras pessoas, mas pelo malefício que aquilo pode trazer à saúde do corpo e da mente.
Dominados pela racionalidade
Como muitas vezes somos dominados pela emoção, acabamos perdendo o foco do que realmente merece nossa atenção no dia a dia. No entanto, conseguir seguir as estratégias proporcionadas dependerá da disciplina de cada um. “O ser humano é capaz de mudar um padrão, mas o principal nesta hora é criar o hábito de estar em constante vigília contra os próprios maus hábitos”, explica. Segundo a pesquisa norte-americana, a vigilância foi a estratégia mais proveitosa utilizada pelos estudantes.
Por outro lado, de acordo com o PSYBlog, blog do psicólogo e pesquisador britânico Jeremy Dean, tomar cuidado para não tropeçar num hábito indesejado e dizer a si mesmo “não faça isso!” é a maneira menos eficaz de controlar uma forte tentação. Para não comer aquela barra de chocolate inteira, a estratégia mais útil foi fugir dos estímulos para tal. Ou seja: não passar na seção de doces do mercado.
Tudo e todos contra o mau hábito
Segundo o britânico, os hábitos que criamos se tornam presentes por repetição. Diferentemente das tentações, incorremos nos maus hábitos sem pensar. Isso justifica a vigilância como a estratégia mais bem-sucedida, já que o estado de alerta nos lembra de que gostaríamos de mudar aquele comportamento. Mas não há receita mágica para tal: “O que pode ajudar muito é construir parcerias de vigilância; o ser humano precisa ser estimulado a desenvolver bons hábitos”, diz Monezi.
Por exemplo: um novo namorado ou a chegada de um bebê levantam preocupações com a saúde e podem ajudar a evitar o fast-food. “Além disso, a informação também pode ser usada como uma estratégia”, lembra Monezi. Segundo ele, quanto mais instrução uma pessoa tiver a respeito dos problemas de saúde causados pela alimentação rápida, mais preparada ela estará para abandonar o consumo frequente de hambúrgueres e batatas fritas.
Utilizar o relógio como aliado também é recomendável. “Se uma pessoa começar a equacionar o tempo que ela leva para realizar uma ação e perceber que está gastando mais tempo do que o necessário, então ela vai saber que algo está errado”, diz o especialista. Para isso, a capacidade de discernir os próprios hábitos se faz necessária.
Porque eu faço isso?
De acordo com a psicóloga Kelen de Bernardi Pizol, especialista em psicoterapia comportamental cognitiva, estar consciente das razões do mau hábito é o primeiro passo. De acordo com Pizol, há pessoas que, antes de modificar um comportamento, precisam modificar o pensamento que têm sobre ele. “Se ela acredita que não entrar no twitter naquele momento específico irá fazê-la perder algo muito importante, então ela precisa primeiro mudar esta crença antes de perder o hábito de navegar à toa por horas”, explica ela. Ela sugere listar as razões para não realizar aquilo.
Muitas pessoas têm consciência de que devem modificar um determinado comportamento, mas ao mesmo tempo convivem com pensamentos que a limitam e impedem a mudança. Por esta razão, simplesmente manter a vigilância em cima de um mau hábito pode não perdurar por muito tempo: “Se ela não trabalhar o porquê de suas crenças, facilmente pode voltar a agir da mesma forma. Por outro lado, quando se muda a maneira de ver determinado hábito, mais difícil será adquiri-lo novamente”.
Embora as estratégias pareçam simples, Dean afirma no PSYBlog que vigiar constantemente um mau hábito para não cometê-lo é cansativo. Existem dias em que seu autocontrole está mais fraco, o que pode fazer com que passemos de um hábito ruim para outro potencialmente ruim.
Monezi explica que o nosso cérebro está programado para buscar prazer, de forma que um comportamento que não é tão capaz de gerar a liberação de serotonina – neurotransmissor ligado ao estado de humor – no cérebro não será facilmente trocado por algo que gera, como, por exemplo, entregar-se a montes de chocolate. Por esta razão, não é dizendo que na segunda-feira começaremos a nos alimentar melhor e pronto, o problema está resolvido. “Todos os dias devemos procurar ampliar os bons hábitos, torná-los ainda melhores, e aprender a evitar os que não nos fazem bem”, diz.
Materia de Renata Losso
| | Comentar »Controle Emocional Pode Elevar Nível De Tensão, Prejudicando A Saúde Física E Mental
A sensação de calor percorre o corpo, o coração dispara, a mente fica confusa: ataque de raiva a caminho.
Manter esse tipo de emoção sob controle é visto como sinal de equilíbrio. Mas novos estudos apontam que evitar a explosão pode fazer mal, tornando a pessoa mais tensa e fechada.
Na contramão do tão valorizado “controle emocional”, especialistas defendem direito de todo mortal a um dia de fúria
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, entrevistaram jovens que estavam entrando na faculdade. Concluíram que os que receberam maiores notas por suprimir emoções tinham mais dificuldade para fazer amigos.
Em outro estudo, pessoas instruídas a demonstrar indiferença ao comentar um documentário sobre bombardeios não conseguiam disfarçar a tensão nas conversas. De acordo com o estudo, as pessoas desenvolvem estratégias para controlar o que expressam, e essas técnicas se tornam subconscientes.
Não esconder a raiva pode até ajudar no desenvolvimento profissional, dizem os pesquisadores. Só uma explosão pode ser capaz de demonstrar, em alguns casos, o quanto se foi ofendido.
“Às vezes, é preciso mostrar o grau de absurdo de uma situação reagindo com espanto. Mostrar que se está perdendo o controle é um caminho para o outro perceber que limites foram invadidos”, diz a psicóloga e psicoterapeuta Suely Mizumoto.
Não significa transformar o “rodar a baiana” em padrão. “É preciso usar a tonalidade emocional certa para se fazer entender: o importante não é o que é dito, mas como é dito”, afirma Mizumoto.
Fazer uso constante dos mecanismos de controle emocional eleva o nível de tensão, que se manifesta em dores, estresse ou são base de doenças psicossomáticas.
“Sempre que não damos vazão às emoções e sentimentos, não temos vida plena. Há um colapso -e o termo é esse mesmo- do nosso equilíbrio”, afirma Elko Perissinotti, coordenador do grupo de resiliência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
A pessoa vai aos poucos se descaracterizando, por não lidar com conflitos e nunca discordar, diz Mizumoto. “O indivíduo pode chegar à depressão, fica triste com ele mesmo ao não revidar.”
Qualquer posicionamento pode, por vezes, ser experimentado como oposição. “Isso obriga aquela pessoa que sente muita necessidade de se sentir aceita, a estar em constante posição de uma concordância aparente. Torna-se falsa para si mesma.”
Às vezes, o ataque de fúria é desproporcional à situação que o causou porque foi alimentado por fatos anteriores, acumulados.
A auxiliar administrativa Marisa Massetti, 52, diz que prefere explodir a engolir sapo. “Até os 30, não era assim. Com o passar dos anos e os problemas que surgiram, aprendi a me defender.”
Ela diz que procura sempre expor seu ponto de vista e conversar, mas, se for preciso, “arma um barraco”.
“Reprimir a raiva causa um mal danado”, afirma Vera Martins, mestre em comunicação e especialista em medicina comportamental.
Segundo ela, a pior forma de manejar emoções negativas é engolindo sapos. A reação ideal é a assertiva, que pode ser atrapalhada pelo medo. Medo de magoar os outros, criar conflitos, perder o emprego, por exemplo.
O trabalho é o ambiente mais fértil para que a explosão germine. “É o local onde a pessoa se sente mais ameaçada, cobrada”, diz Vera, que dá consultoria de desenvolvimento em empresas.
A consultora fez uma pesquisa com 220 funcionários e detectou que 48% reagem de maneira defensiva: ou engolem sapos, ou são agressivos ou são dissimulados. “O problema é tomar decisões sob o efeito exclusivo da raiva, a pessoa se torna vulnerável.”
Um estudo de Harvard mostra que a raiva pode ser benéfica para a carreira. Os empregados que não hesitam em defender seus pontos de vista são respeitados e lembrados para promoções.
Mas o resultado só é positivo se houver assertividade: acesso descontrolado de fúria não tem o mesmo efeito.
Editoria de Arte/Folhapress – Irene Ruberti
| | Comentar »Análise de Currículo: Descreva atividades Voluntárias E Acadêmicas Como Experiência
Marcelo Abrileri, presidente da Curriculum, analisa o currículo profissional de um internauta que deseja atuar na área de publicidade e propaganda.
Segundo Marcelo, este currículo pertence a um jovem que provavelmente busca seu primeiro emprego numa área específica — publicidade e propaganda — nas atividades relacionadas à arte final e tratamento de imagens.
“O currículo precisa ser reestruturado em vários pontos e o objetivo pode ser melhor apresentado e adequado ao perfil do jovem. Por exemplo: arte final e edição de imagens digitais”.
Não é necessário informar número de documentos pessoais no currículo impresso. Talvez seja dispensável informar que possui carteira de habilitação, pois o profissional deseja trabalhar numa área que não necessita da CNH para o desempenho da atividade.
Como o internauta não possui experiências profissionais, pode relatar trabalhos voluntários, trabalhos freelancer (principalmente dentro da área de interesse) ou atividades acadêmicas que forneceram suas primeiras experiências de trabalho em equipe ou atividade desenvolvida em algum tipo de organização.
“Ele [internauta] deve descrever o que fez nestes tipos de atividade. Quando o profissional busca o primeiro emprego, fica claro para o selecionador que este é o seu perfil. Assim, profissionais com este perfil levarão vantagem sobre os outros que apresentem perfil similar caso apresentem em seu currículo atividades já desenvolvidas”, diz Marcelo.
Dicas
- Coloque o nome centralizado e com fonte menor que os objetivos do currículo.
- Informe diretamente a idade para facilitar a interpretação e leitura dos analistas de RH.
- Distribua as informações em tópicos adequados na seguinte ordem: qualificações, formação, informática, idiomas, experiências profissionais e cursos complementares.
Escolha dos currículos
O UOL Empregos publica, duas vezes ao mês, análises de currículos onde consultores sugerem mudanças a um resumo profissional selecionado entre os enviados à Redação.
Para selecionarmos o resumo profissional analisado, buscamos um exemplo que apresente problemas comuns à maioria dos currículos recebidos. Os dados pessoais e os nomes das empresas e instituições são retirados: usamos denominações como empresa A, escola X.
Se você quiser enviar seu currículo para análise, mande-o, anexado, ao e-mail uolempregos@uol.com.br, com o assunto “Análise de currículo”.
| | Comentar »É Impossível Para Um Homem Ser Enganado Por Outra Pessoa Que Não Seja Ele Mesmo
O mundo das organizações se torna a cada dia e cada vez mais complexo, incerto, inseguro, volátil, cheio de surpresas, enganos e “pegadinhas”. Entretanto, a despeito dessa realidade, ainda encontramos muitos profissionais “ingênuos” e, consequentemente, incapazes de visualizarem clara e objetivamente os sinais de perigo que indicam uma demissão em potencial. Como escreveu Niccolo Maquiavel, 1469-1527, político e escritor italiano em O Príncipe, XVIII, 3, “São tão simples os homens e obedecem tanto às necessidades presentes, que quem engana sempre encontrará alguém que se deixe enganar”.
Nesse ambiente, muitos se comportam como aqueles banhistas de verão que se atiram ao mar sem observarem os sinais que indicam: “Atenção. Alto risco de afogamento”; “Perigo. Águas profundas. Correnteza e Redemoinho”.
Recentemente, assessorei um executivo oriundo de importante empresa multinacional em seu processo de transição de carreira – outplacement e ao questioná-lo sobre os verdadeiros motivos de sua demissão, ele me disse: “Gutemberg, confesso que em nenhum instante observei qualquer sinal que sinalizasse a minha demissão. Fui surpreendido com a sua notícia”.
Nesse instante, discordei de sua colocação e comecei a questioná-lo com maior profundidade, a fim de encontrar um ou mais motivos para sua “demissão inesperada”. Afinal, nenhuma empresa demite profissionais Classe A, exceto em circunstâncias excepcionais.
Eis alguns dos sinais que ele ignorou mesmo navegando em águas profundas e ondas revoltas:
“Deixei de me atualizar. Não estudei muito e fiz poucos cursos e treinamentos”.
“Nos últimos três anos executei apenas o que precisava fazer, porém sem ter mais tesão pelo trabalho que empreendia”.
“Falhei na minha comunicação, especialmente com os meus superiores”.
“Nos últimos anos, não consegui entregar o resultado esperado. Estava vivendo na zona de conforto”.
“Odiava acordar todas as manhãs e sair de casa para o trabalho”.
“Nunca li nenhum livro sobre planejamento de carreira”.
O mais inusitado dessa história, esse mesmo profissional a despeito de todos os luminosos sinais de perigo, escreveu: “Esperava ter alcançado posições mais altas no nível hierárquico”.
Indagamos: como poderia esperar ser promovido, se tudo o que fazia estava o conduzindo na direção oposta, à demissão?
Ao refletir sobre suas afirmações, todas verdadeiras e escritas em folha de papel pelo próprio profissional, propus-me a escrever este artigo, com um propósito bem específico: chamar a atenção daqueles indivíduos que preferem ignorar os sinais de perigo ao longo de seu caminho – a carreira profissional – a confrontá-los de maneira corajosa, determinada e disciplinada. Platão, filósofo grego, 427-347 a. C., em A República, III, 413, c., diz: “Tudo aquilo que engana parece liberar um encanto”.
Caro leitor, é possível tentar ser mais esperto do que as outras pessoas em sua organização, mas não mais esperto do que todas elas, principalmente, seus superiores imediatos. Eles, na maioria das vezes, o lêem com acuracidade e perícia. Não se iluda. Portanto, lembre-se sempre das palavras do ex-presidente dos Estados Unidos da América do Norte, Abraham Lincoln, 1809-1865, em seu discurso em Clinton, 8 de setembro de 1858: “You can fool all the people some of the time, and some of the people all the time, but you can not fool all the people all the time”.
Partindo da premissa de que é impossível para um homem ser enganado por outra pessoa que não seja ele mesmo, como frisou Ralph Waldo Emerson, submeto a sua consideração, os sinais de perigos que, se não observados atenta e inteligentemente, poderão conduzi-lo à demissão:
1. Obsolescência
A obsolescência gerencial brasileira é grave, apesar de todos os esforços para eliminá-la do seio das organizações. O apagão do talento humano brasileiro é uma realidade e ela não se restringe apenas à escassez de mão-de-obra preparada e qualificada por ocasião da condução de processos seletivos. Ela é muito mais profunda. Portanto, exige uma nova abordagem.
A obsolescência se manifesta de diferentes maneiras: o profissional não renova os seus conhecimentos, não modifica o seu comportamento, não reavalia as suas crenças e valores, não investe tempo e dinheiro na aquisição de novos saberes tecnológicos, não acredita nas mudanças como propulsoras do desenvolvimento, não aceita o comportamento das novas gerações, acha que todo problema só tem um método para sua solução. Além disso, torna-se preconceituoso, rígido, repetitivo e “démodé”.
2. Má avaliação de desempenho anual
A avaliação de desempenho tem se tornado um instrumento de gestão ineficaz em muitas organizações. Criada para desenvolver e aprimorar as competências gerenciais dos indivíduos, elas se converteram ao longo dos anos em mera atividade burocrática – o gestor faz de conta que avalia e o avaliado faz de conta que foi avaliado.
Sabemos que por herança e prática cultural que o gestor brasileiro odeia a crítica, o conflito e fazer avaliações rigorosas de seus subordinados. Ele prefere adoça-las com superficialidades e paternalismo crônico. Consequentemente, o avaliado nunca toma conhecimento real e prático de suas necessidades de treinamento e desenvolvimento. E, menos ainda, das suas necessidades de mudanças de natureza comportamentais.
Reconheço que apesar de seus vícios, as avaliações de desempenho, quando apontam deficiências e correções necessárias – técnicas, gerenciais e comportamentais – não alcançam a sua magnitude. O profissional avaliado também cultiva o vício de não querer sair de sua zona de conforto. Ele prefere, tal qual o sapo, ser cozido na panela. É nesse instante em que a demissão ocorre.
Os sinais de perigo relacionados à má avaliação de desempenho de um profissional se manifestam e se materializam em inúmeras situações: o profissional cultiva relacionamento problemático e conflituoso, sente-se desconfortável com o uso do poder, tem visão restrita e competência estratégica limitada, é incapaz de se ajustar rapidamente às mudanças, dá excessivo valor ao que faz – tem muitos apegos, entre outras questões.
3. Perda da utilidade
Este é um dos mais discutidos sinais de uma eminente demissão nos textos gerenciais – livros, artigos, conferências, etc. Infelizmente, ainda hoje, encontramos muitos profissionais nas organizações que a subestimam ou a ignoram totalmente – eles enterram as suas cabeças sob as suas mesas de trabalho e acham que estão protegidos e livres dos ataques de seus superiores.
A perda da utilidade de um profissional em qualquer organização se torna visível nas seguintes circunstâncias:
Ele é solicitado a fazer apenas o básico e o óbvio para alimentar a burocracia interna; ele não é inserido em nenhum projeto de real valor para a companhia; as informações importantes lhe são negadas; suas atribuições e responsabilidades são reduzidas ou distribuídas entre outros profissionais – seu cargo é esvaziado e, consequentemente, perde poder; o superior imediato o ignora e não o consulta mais; ele não é convidado para as reuniões das quais participava anteriormente; o chefe vai buscar as informações das quais necessita diretamente com quem as geram e não mais por seu intermédio, entre outros comportamentos e ações.
4. Incompatibilidade com o chefe
O superior imediato exerce papel de grande relevância no treinamento, desenvolvimento e avanço de seu subordinado. Nenhum profissional, por mais competente e talentoso que seja, se sustenta e progride em sua carreira sem o consentimento e aprovação de seu chefe. Daí a expressão, “ele tem o poder de vida e morte sobre a sua carreira”.
Ao longo de minha vida profissional como consultor especializado em transição de carreira, outplacement e executive coaching, assessorei inúmeros profissionais que tiveram a carreira interrompida porque não atentaram para essa verdade – “O avanço ou estagnação de sua carreira depende em grande medida de seu chefe”.
Lembro-me que há aproximadamente seis meses assisti uma profissional jovem – 32 anos -, inteligente, preparada, dinâmica, simpática, fluente em três idiomas, exposição internacional e oriunda de grande empresa multinacional. Motivo alegado para sua demissão: “ela não se dava com o seu chefe”.
Inúmeros fatores contribuem para tal posicionamento:
perda de confiança. O superior imediato não acreditava que ela seria capaz de produzir os resultados esperados e não tinha nenhuma expectativa em relação ao seu futuro.
Perda da aderência. O chefe não a procurava mais. Ele a evitou por sessenta dias aproximadamente.
Perda da companhia e da camaradagem. O chefe a evitava socialmente. Ele queria distância dela e quando a encontrava passava de largo.
Perda do respeito. O superior imediato “atravessava” a alçada e dava ordens diretas para a sua equipe.
Perda do valor. Os colegas e subordinados ao perceberem a atitude de distanciamento do chefe também passaram a evitá-la.
Caro leitor, este artigo não esgota a discussão sobre assunto da mais alta importância para aqueles profissionais comprometidos com a sua carreira e o seu progresso. Entretanto, os pontos aqui tratados podem abrir os seus olhos a fim de que possa enxergar os sinais de perigo a sua frente.
Ralph Waldo Emerson, 1803-1882 – Filósofo e poeta norte-americano, Essays, Compensation
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