A Crise Financeira Americana, A Moral E A Ética
A crise financeira americana não é um problema de ausência de lucros das ações negociadas em bolsa de valores e sim de ausência de valores morais e éticos da sociedade moderna
Devemos refletir profundamente sobre a CRISE FINANCEIRA AMERICANA que se notabilizou mundialmente, atingindo todo o planeta. Devemos ainda observar que as negociações lidavam com dinheiro virtual e se desenvolviam numa bolha financeira que um dia viria a estourar, mostrando a veracidade dos fatos. Se fizermos um histórico que antecede o estouro dessa crise devemos perceber com clarividência que essa verdade estava para se apresentar a qualquer momento, pois qualquer que seja a inverdade um dia ela deve vir à tona e mostrar sua face real, ou seja, de nada adianta a regulamentação ou a normatização pautava em base inverídica, pois poderá resultar numa crise ainda maior.
A bolha das ONGs, a bolha da responsabilidade ambiental, a bolha da responsabilidade social, a bolha dos fundos de investimentos, a bolha da governança corporativa, a bolha da supervisão de auditoria, a bolha das normas internacionais, a bolha da eleição do primeiro presidente negro, a bolha do ilusionismo financeiro, a bolha das armas de destruição em massa, a bolha de uma dívida interna descomunal, a bolha do G-8, a bolha do G-20, a bolha
do FMI, a bolha da ONU, a bolha do Banco Mundial, a bolha da SEC, a bolha do FED, a bolha do Tesouro, a bolha da GM, a bolha do Cartão de Crédito, a bolha do crédito bancário, a bolha do desemprego, a bolha dos 20 (vinte) maiores bancos, e demais existentes.
Fico refletindo que tudo quanto se criou foi um potencial de MARKETING numa base inverídica apresentada através de demonstrativos financeiros, pareceres de auditoria, relatórios de rating, e demais que induziram a aplicação financeira de diversos fundos e investidores que estão sempre querendo tirar o maior proveito, buscando a maximização dos recursos através da minimização de qualquer esforço, custos ou despesas. Ao acompanhar a evolução dos fatos na busca de encontrar a melhor solução para a crise que se instalou mundialmente, leio que em recente reunião em Washington DC, o grupo do G-20, se reunião e estabeleceu dentro outras normas e regulamentações que devem ser implantadas até o dia 31/03/2009, alguns fatos aviltantes, tais como, informação veiculada no Jornal O POVO do dia 17/11/2008:
“As corporações-chave para o padrão de contabilidade global, devem trabalhar para endurecer os parâmetros de avaliação de títulos (ações) incluindo produtos sem liquidez especialmente durante o período de stress”.
“Os fiscais de padrão contábil devem avançar significativamente em seu trabalho para identificar fraquezas nos parâmetros de contabilidade e de transparência para veículos financeiros que fiquem fora do balanço das instituições”
“Os reguladores e os fiscais de padrão contábil devem melhorar a abertura requerida de instrumentos financeiros complexos”
“Com objetivo de promover a estabilidade financeira a governança das corporações responsáveis pelos padrões contábeis deve ser melhorada, incluindo a revisão de seus integrantes. A relação entre o corpo independente e as autoridades deve ser aprimorada”.
Com a ajuda dos grifos, percebe-se que o grande problema não são as normas e regulamentos existentes, acredito que até que existam e são bem elaborados, mas de nada adiante se os executores das citadas normas e regulamentos, têm uma certa dificuldade em sua execução prática, pois isso depende de diversas variáveis intrínsecas e extrínsecas que implicam direta e indiretamente na qualidade das informações e análise dos demonstrativos
financeiros.
Registro no presente artigo o grande esforço dos órgãos de classe que procuram manter seus associados numa educação continuada, visando o seu aprimoramento técnico atingindo, portanto a uma educação de qualidade que retrata a competência desses profissionais. Os demonstrativos financeiros e as informações complementares derivadas das normas e regulamentos servem a um único propósito que é o da tomada de decisão dos executivos,
gestores, empreendedores, e investidores que em sua maioria seguem a mesma tendência induzidas por agências.
É praticamente impossível calcular quantas decisões homens e mulheres de negócios tomam todos os dias, desde as mais triviais até as mais complexas, pressionados pelo tempo escasso e por um colossal volume de informações contidas em demonstrativos financeiros, pareceres e relatórios, onde, muitas vezes, esses executivos e empreendedores têm dificuldades na hora de identificar e dedicar-se às questões que realmente importam. A capacidade de discernimento que determina o sucesso ou o fracasso dos profissionais está diretamente ligada às decisões bem sucedidas que se apóiam em métodos e cálculos, e não em súbitos momentos de inspiração.
Sabemos que qualquer decisão tomada pela administração, gestão, ou empreendedor, está ligada a três questões básicas, quais sejam:
a) Pessoas – decisões sobre pessoas são geralmente as mais complexas e desafiantes, pois são afetadas por vínculos emocionais e preferenciais pessoais e tendem a despertar forte reação;
b) Estratégia – O líder tem o papel de levar a empresa ao sucesso. A qualidade de suas decisões estratégias depende de sua capacidade de enxergar a frente, fazer as perguntas certas sobre o futuro e escolher as pessoas certas para apoiá-lo;
c) Crise – As decisões em crises exigem que um líder tenha clareza de seu propósito e de seus valores. É preciso garantir comunicação fluente e transparente sobre os problemas não só na cúpula, mas em toda a organização.
Manter um bom processo para gerar e analisar informações e garantir a execução. O mais importante é acertar nas escolhas relevantes e saber que elas resultam de um processo estruturado, que requer investimento de tempo,
energia e conhecimento, sabendo inicialmente que é preciso identificar a necessidade da decisão. Quando a base da sociedade profissional está atingida por vírus de nada adiante normas ou regulamentos, pois o atendimento a essas normas e regulamentos podem ser mascarados, levando consigo empresas e profissionais ao descrédito, devendo ser arguidas juridicamente pelo prejuízo causado a outrem. Quaisquer que seja o remédio para essa crise financeira, devem entender que se não houver maior transparências dos demonstrativos financeiros da contabilidade das empresas, elaborados por profissional competentes e qualificado, e seguidamente a transparências dos demais profissionais tais como, Auditor Independente, Perito, Assessor, Consultor, Gestor, Executivo, Empreendedor, etc, ela retornará com maior gravidade e no menor espaço de tempo possível.
O abalo de credibilidade sofrido por essa crise põe em cheque o profissionalismo ético, moral do profissional envolvido direta ou indiretamente, e, principalmente dos órgãos responsáveis que, por negligência ou imperícia contribuíram para sua maior gravidade.
Como devem ficar os profissionais da contabilidade que assinaram determinados demonstrativos financeiros?
Como fica o auditor independente que assinou o Parecer?
Como fica a agência de rating que induziram o investidor?
Como fica o RI que assegurou transparência das ações das empresas em suas explicações junto ao investidor?
Como ficam os órgãos governamentais que não analisaram citadas informações?
De que adianta tanta regulamentação e normatização se não é cumprida?
Como fica o gestor empresarial dessas empresas?
Fico lamentando o futuro desses profissionais envolvidos e empresas que não tiveram a oportunidade de conhecer outros profissionais com outros valores, talvez não estivessem na situação em que se encontram hoje, e que, provavelmente, dificilmente, poderão sair. Em consonância ao título do presente artigo devemos entender que o problema da crise financeira americana, não é somente o retorno lucrativo dos investimentos financeiros, mas sim do resgate dos valores morais, transparentes e éticos dos profissionais envolvidos nas atividades econômicas, financeiras, contábeis, administrativas das empresas.
Elenito Elias da Costa – Contador, Auditor, Analista Econômico e Financeiro, Instrutor de Cursos do SEBRAE/CDL/CRC, Professor Universitário, Professor Universitário Avaliador do MEC/INEP do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis, Consultor do Portal da Classe Contábil, da Revista Netlegis, do Interfisco, do IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Boletim No.320), Autor de vários textos científicos registrados no Instituto de Contabilidade do Brasil, sócio da empresa IRMÃOS EMPREENDIMENTOS CONTÁBEIS S/C LTDA. E-mail: elenitoeliasdacosta@gmail.com
| | Comentar »Dados Sobre Emprego São Sinal De Alerta Sobre Crise
Valor Econômico – 25/11/2008
O estrangulamento do crédito bancário, resultado direto da crise financeira global, já começou a fazer vítimas no mercado de trabalho brasileiro. E as perspectivas são de uma piora considerável nesse cenário em 2009.
Ao divulgar, na semana passada, os dados mais recentes referentes à criação de empregos com carteira assinada, o Ministério do Trabalho mostrou que a indústria de transformação registrou no mês passado o pior desempenho dos últimos dez anos, pelo menos, para os meses de outubro. O saldo entre admissões e demissões resultou em apenas 8.730 novos postos de trabalho, o menor para este período desde 1999, último ano com dados disponíveis no site do Ministério do Trabalho. O resultado – pior do que o registrado em anos de fraco crescimento – é o primeiro indicador que sinaliza o tamanho da precaução que tomou conta do setor industrial diante da crise econômica. Como resultado da parada na indústria, quatro setores encerraram o mês com corte efetivo de vagas formais: calçados, o complexo que reúne borracha, fumo e couros, e material de transporte e mecânica, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em outubro do ano passado, num ambiente macroeconômico completamente diferente, a indústria tinha criado pouco mais de 60 mil empregos formais.
Houve, na verdade, forte desaceleração na criação de empregos com carteira assinada em toda a economia. O saldo entre contratações e demissões foi de apenas 61.401 postos. Esse volume de novas vagas foi 70% menor que o do mesmo mês de 2007. No acumulado de janeiro a outubro o saldo é de 2,147 milhões de empregos, que representam um crescimento de 18,52% sobre o total de vagas abertas no mesmo período no ano passado. Antes deste outubro, o ano com menor número de novas vagas abertas nesta época do ano foi 2002, com 36 mil empregos novos – 16 mil deles na indústria.
Mantida essa tendência, e não há razões fortes o suficiente para interromper o ciclo de desaceleração do emprego, a crise vai se aprofundar. Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” de domingo, o presidente das Lojas Renner, José Galló, foi bastante enfático ao dizer que sua empresa já sente uma redução nas vendas e previu que o consumo deve se retrair ainda mais no começo de 2009. Para ele, uma melhoria no varejo só virá no segundo semestre de 2010. “A crise já chegou ao consumidor brasileiro”, disse. Para ele, os primeiros afetados foram pessoas das classes A e B, com relação mais direta com o mercado financeiro. Os próximos a sentir a força da crise serão os consumidores das classes D e E, através do desemprego, que Galló espera que ganhe força em fevereiro de 2009.
Até agora, de forma geral, o comércio não começou a dispensar seus funcionários – o que seria altamente dramático porque os meses de novembro e dezembro são os melhores em termos de faturamento para o setor varejista dado o aumento do consumo por conta das festas de fim de ano. Segundo o Ministério do Trabalho, no que se refere ao emprego, o comércio foi o setor mais dinâmico de outubro, quando criou 54.590 vagas – número um pouco inferior às 63 mil vagas abertas no segmento no mesmo mês do ano passado. Em seguida estão as empresas de serviços, com saldo de 36.142 postos, destacando-se as atividades de transportes e comunicações, administração de imóveis, alojamento e alimentação. A agricultura, por motivos típicos da época, perdeu, em outubro, 38.442 empregos com carteira assinada. O fenômeno está relacionado à entressafra na região Centro-Sul.
A reação governamental aos dados sobre desaceleração na criação de empregos foi olhar para o passado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que com a desaceleração da atividade econômica, que também ocorre no Brasil, é “natural” que o país deixe de gerar mais de 200 mil empregos por mês e passe a um patamar menor, mas preferiu ressaltar que em 2008 será batido o recorde do Caged, ultrapassando-se a marca dos dois milhões de empregos. “O importante é continuar criando novos empregos, ao contrário do que acontece nos países avançados”, afirmou. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, comparou as situações no Brasil e nos Estados Unidos. Entre janeiro e outubro deste ano, 1,2 milhão de americanos perderam seus empregos.
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Maus Líderes Deixam A Equipe Doente
Na opinião de Nowack, “os profissionais comandados por líderes `emocionalmente inteligentes’ são mais competentes e refletem menos estresse no trabalho, ao contrário daqueles dirigidos por líderes `medíocres’, que confessam sua intenção de abandonar a empresa em menos de um ano. Em números, os grupos de trabalho mal gerenciados
são, em média, 51% menos produtivos e 44% menos rentáveis que os que são bem dirigidos”.
Para analisar o tema, convidei o especialista Ômar Souki, especialista em Motivação e autor do livro Liderança & Genialidade Empresarial.
Confira!
Nossa saúde está diretamente ligada à natureza de nossos
relacionamentos tanto em casa quanto no trabalho. Quando um líder desorienta seus colaboradores, ele aumenta o nível de estresse. Como conseqüência, verifica-se uma baixa no sistema imunológico, o que é um convite às doenças.
Portanto, é importante que os líderes tenham tempo e oportunidade para se reciclarem e aprimorarem suas habilidades emocionais. Por esse motivo, as empresas devem ter um cronograma sério de treinamento e aperfeiçoamento de suas lideranças.
Ao tomar consciência de sua influência na saúde da equipe, os líderes aumentam suas responsabilidades em relação à qualidade de vida no ambiente de trabalho. Percebendo isso, eles devem investir pesado em seu próprio crescimento e bem-estar, através de treinamentos e férias regulares. Diminuindo o nível de estresse e aumentando a satisfação na vida pessoal e empresarial, o líder também terá um impacto positivo nos resultados de seus funcionários.
Por isso, as empresas devem promover a satisfação de suas lideranças e aproveitar positivamente o efeito cascata. Líderes bem dispostos criam equipes mais produtivas e rentáveis. Tudo o que for feito para o bem-estar da liderança retornará para a companhia em forma de lucros
crescentes e rentabilidade.
Além do zelo na contratação de seus líderes, o presariado deve favorecer um clima de entendimento dentro da companhia. Afinal, lideranças saudáveis produzem organizações saudáveis. O líder é o modelo. Quando ele fraqueja, toda a equipe se desorienta.
| | Comentar »Cautelosas, Empresas Evitam Demitir
As empresas aprenderam com as crises passadas e estão mais cautelosas com suas atitudes em relação à atual. Em períodos turbulentos a primeira reação das corporações era cortar custos, investimentos e demitir pessoas de forma generalizada. Medidas drásticas, porém, são eficientes apenas no curto prazo. Quando a crise passa, as empresas sentem o desfalque, pois precisam sair em busca de novos mercados e clientes. Agora, portanto, a postura das companhias na hora de definir suas estratégias tem sido mais racional e analítica.
“Independentemente de qualquer crise, as empresas chegaram ao consenso de que o capital humano é fundamental para permitir o crescimento e atravessar períodos de incerteza. Assim, a maior preocupação hoje é identificar e reter os talentos.” A conclusão é do sócio-gerente da área de Remuneração da Towers Perrin para a América Latina, Felipe Rebelli, com base nos resultados de uma pesquisa concluída neste mês sobre os efeitos da crise financeira nas políticas de remuneração. O estudo foi feito com mais de 160 empresas que atuam no Brasil e faturaram entre R$ 500 milhões e R$ 20 bilhões em 2007.
“Ao invés de mandar gente embora, a maioria está tentando controlar a situação congelando as novas contratações e reduzindo treinamentos, por exemplo ” . A redução da verba de mérito do ano que vem também deverá ser reduzida, passando dos previstos 3,5% antes da crise para 3,0%, em média. ” Parece pouco, mas é 0,5% da folha de pagamento. Dependendo do porte da empresa, esse pode ser um valor bastante significativo, de alguns milhões de reais”, afirma.
Os dados coletados no estudo mostram que mais de metade das organizações participantes considerou improvável ou muito improvável a redução de mais de 10% no quadro de funcionários para o ano que vem, assim como reduzir a verba de bônus ou remuneração variável e descontinuar programas de benefícios. “E isso tudo foi feito de forma ampla em crises passadas”, lembra Rebelli.
Isso não significa, porém, que as empresas não estejam preocupadas. Das mais de 160 pesquisadas, 22% delas já decidiram alterar alguma de suas políticas de recursos humanos e/ou remuneração em função da crise e muitas ainda estão avaliando quais medidas tomarão. “Obviamente alguns setores como varejo, construção civil e automotivo sentem bem mais que os outros com a crise. Essas indústrias já estão mudando suas estratégias e se adequando à nova realidade do mercado”, garante.
Com relação à remuneração variável, 43% das empresas irão manter a previsão de premiação anterior à crise e somente 24% esperam que haja alguma redução no pagamento de bônus em 2009 referentes aos resultados de 2008. “Isso acontece porque os efeitos da crise estão aparecendo com força só agora e deu tempo para boa parte das companhias atingirem seus resultados e metas do ano”, explica Rebelli. Mais da metade das companhias que optou por fazer ajustes anunciou que a redução será de até 25%.
Já os incentivos de longo prazo, apesar de serem dos mais afetados pela crise, deverão continuar com suas políticas inalteradas. É verdade que com a bolsa em baixa, as opções de compra de ações (stock options) concedidas em 2008 estão “underwater”, isto é, o valor fixo estipulado aos executivos para que pudessem comprar as ações futuramente está mais alto do que o atual preço de mercado dos títulos.
O sócio da Towers Perrin, porém, acha natural que 36% declararam que não irão fazer mudanças e outros 56% ainda estão discutindo ou avaliando alternativas. “É uma conduta previsível, uma vez que estes planos têm entre seus objetivos criar alinhamento e visão de longo prazo e podem ter vigência de seis ou oito anos.” Rebelli ressalta, no entanto, que se a bolsa de valores continuar em queda por um longo período ainda, as empresas poderão fazer ajustes nos planos, como antecipar as concessões de 2009 para o início do ano, quando o normal seria entre o fim do primeiro semestre o início do segundo. “Se você oferece opções de compra de ações com os preços em baixa, o potencial de valorização delas será mais alto. Seria uma boa oportunidade para os executivos, mas são poucas as organizações que tomarão atitudes mais radicais.”
Mesmo na crise, a maior preocupação dos empregadores não tem sido em cortar, mas em reter os principais talentos. 66% demonstraram ter algum grau de preocupação nesse quesito, sendo que 25% destas até estudam a possibilidade de criar bônus específicos para evitar que os profissionais de alta performance deixem a empresa durante a crise. “Essa visão está mais forte dentro das corporações. É preciso identificar as áreas e os cargos mais estratégicos para o negócio e, a partir daí, os melhores talentos. Essas são as pessoas que receberão a maior parte dos investimentos, agora que o RH está limitado”, afirma Rebelli.
Por Rafael Sigollo, de São Paulo - Jornal Valor Econômico – 28/11/2008
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Mulher Processa Colega De Trabalho Que Exagera No Perfume
Susan McBride diz que cheiro forte a impede de trabalhar.
Juiz deu autorização para ela levar a ação adiante.
Um juiz de Detroit (Michigan, EUA) deu nesta semana autorização para uma mulher levar adiante um processo contra sua colega de trabalho que usa perfume muito forte. Susan McBride alega que o cheiro dificulta sua respiração, impossibilitando que ela trabalhe sob essas condições.
O juiz Lawrence P. Zatkoff afirmou que Susan “produziu evidências de que sua respiração fica comprometida com o perfume de uma colega e, por isso, o processo é válido”. Houve uma tentativa, por parte de advogados que representam a cidade, de invalidar a ação, segundo o jornal local “Detroit News”.
“Ele reconheceu que esse tipo de reclamação é viável, quando muitas vezes esse tipo de reivindicação não é levada a sério”, disse Ann Curry Thompson, advogada de Susan.
Grant Ha, que defende os interesses da cidade, não comentou a decisão do juiz. Em junho, o advogado alegou que não havia um diagnóstico médico para comprovar as afirmações de Susan. O juiz, no entanto, acredita que o perfume forte de uma colega de trabalho pode, sim, atrapalhar a vida profissional da mulher que abriu o processo.
Susan não pede uma quantia específica de dinheiro no processo. Sua advogada disse que o principal objetivo da ação não é financeiro, mas sim “educar as pessoas sobre o assunto e buscar a colaboração voluntária, quando necessário”. O julgamento do caso deve ser realizado no ano que vem.
Franchise & Sales – G1 – SP
| | Comentar »A Interessante História da BIC
Elas revolucionaram os hábitos de escrita de milhões de consumidores em todo o mundo, que continuam a valorizá-las por sua qualidade e preço acessível. Dificilmente você encontrará no mundo uma pessoa que não tenha escrito ao menos uma palavra com uma caneta BIC. E muito menos que não conheça a marca.
A história
A história desta famosa e popular marca tem sua origem em 1945, quando Marcel Bich, um ex-gerente de produção de uma fábrica de tintas, comprou uma fábrica nos arredores de Paris e em sociedade com Edouard Bouffard começou a produzir peças para canetas-tinteiro e lapiseiras. A dupla fabricava inicialmente para terceiros, entre eles a famosa marca francesa Waterman. À medida que o negócio de peças para instrumentos de escrita começou a crescer, o desenvolvimento da esferográfica avançava, tanto na Europa como nos Estados Unidos, e Marcel viu o enorme potencial desse novo instrumento de escrita. Depois de obter os direitos das patentes para uma esferográfica criada em 1935 pelo inventor húngaro Ladislao Biro, que estava refugiado na Argentina, melhorou seu processo de produção e introduziu em dezembro de 1950 suas canetas confiáveis e a preço acessível na Europa, chamando-as de BIC Cristal Ballpoint, uma abreviação rápida e fácil de seu sobrenome. Como pretendia exportar o produto para os Estados Unidos, o H do final foi suprimido. Em inglês, bich tem a pronúncia parecida com bitch, um pesado palavrão. A caneta que permitia escrever facilmente através de uma pequena esfera situada na ponta, fez tanto sucesso que, em apenas dois anos, o volume anual de vendas ultrapassou os 21 milhões de unidades.
Começou então a exportar para vários países da Europa como a Itália em 1954 e após a aquisição da Biro-Swan, passou a vender também para a Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia. Em 1956 a empresa começou a operar no Brasil. Dois anos depois a empresa introduziu sua caneta no mercado americano. No início, os consumidores relutavam em comprar uma caneta BIC, já que tantas outras canetas haviam sido lançadas sem sucesso no mercado nos Estados Unidos por outros fabricantes. Para acabar com essa relutância, a empresa BIC criou uma campanha em rede nacional de televisão para contar aos consumidores que esta caneta esferográfica “escreve logo de cara, sempre!” (Writes First Time Every Time) e que seu preço era de apenas US$ 0,29. A BIC também lançou anúncios que mostravam as canetas sendo atiradas de rifles, amarradas a patins de gelo e até montadas sobre britadeiras. Após um ano, a concorrência forçou a queda de preços para US$ 0,10 por caneta.
O governo francês concede autorização em 1965 para utilização de canetas esferográficas nas escolas, abrindo um enorme mercado para a marca. Em 1969, a BIC já fabricava 25% das canetas usadas em todo o mundo. A empresa então expandiu seu leque de produtos, introduzindo no mercado isqueiros e barbeadores, e começou a entrar em mercados estrangeiros criando subsidiárias, adquirindo o controle de companhias estrangeiras ou através de agentes.
A evolução visual
O famoso logotipo da BIC é dividido em 2 partes: o “BIC BOY” e as três letras BIC, versão abreviada do sobrenome de família do fundador da empresa, Michael Bich. Em 1950, quando Michael Bich, lançou sua famosa caneta BIC Cristal Ballpoint em Clichy na França, o logo era composto por três letras dentro de um paralelogramo vermelho. O famoso personagem BIC BOY foi criado pelo designer francês Raymond Savignac, responsável pela primeira campanha comercial da empresa em 1952 que tinha como slogan “elle court, elle court, la Ponte Bic” (it’s run, it’s run, the Bic Point). Em 1961, desenvolveu uma nova campanha para promover a nova BIC Ballpoint, e para chamar a atenção das crianças, criou um estudante com a cabeça sendo substituída pela ponta redonda das famosas canetas, segurando uma caneta por trás. Surgia assim o BIC BOY. Em 1962 o personagem foi incorporado definitivamente ao lado esquerdo do logotipo que passou a ter a cor amarelada e nunca mais foi modificado.
Os dados
● Origem: França
● Fundação: 1945
● Fundador: Marcel Bich e Edouard Bouffard
● Sede mundial: Clichy, França
● Proprietário da marca: Société Bic
● Capital aberto: Sim (1972)
● Chairman: Bruno Bich
● CEO: Mario Guevara
● Faturamento: US$ 12.27 bilhões (2007)
● Lucro: US$ 269.7 milhões (2007)
● Valor de mercado: US$ 2.49 bilhões (2008)
● Presença global: + 160 países
● Presença no Brasil: Sim
● Maiores mercados: Europa e Estados Unidos
● Funcionários: 9.266
● Segmento: Suprimento de escritório
● Principais produtos: Canetas, corretores, isqueiros e barbeadores
● Ícones: A caneta esferográfica BIC CRISTAL e o personagem BIC BOY
● Slogan: Our Quality Comes in Writing.
● Website: www.bicworld.com
A marca no mundo
Hoje em dia para satisfazer necessidades específicas dos consumidores, a BIC oferece um leque de produtos de papelaria vendidos sob uma série de marcas em categorias diversas como instrumentos de escrita e marcadores (BIC, STYPEN e SHEAFFER), colorir e desenhar (CONTÉ e BIC KIDS) e produtos para corrigir (WITE-OUT e TIPP EX), além de barbeadores e produtos derivados e isqueiros. As canetas BIC se tornaram as mais famosas do mundo, vendendo em um único dia 21 milhões de unidades, totalizando mais de 100 bilhões de unidades anualmente. A empresa ainda vende diariamente 5 milhões de isqueiros e 9.5 milhões de barbeadores. A divisão de produtos para escrita responde por 51% do faturamento da empresa, a de isqueiros 27% e a de barbeadores e depiladores por 18%. Seus maiores mercados são a América do Norte (46%) e a Europa (30%).
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Você sabia?
● Em 2002, a caneta esferográfica BIC Cristal entra na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA), no Departamento de Arquitetura e Design. Três anos depois foi a vez do isqueiro BIC MAXI ter a honra de ingressar na coleção.
● Cada caneta BIC escreve entre 2 e 3 quilômetros.
O isqueiro BIC Maxi acende 3 mil vezes ou mais.
Em média um barbeador BIC oferece uma semana de barbear.
As fontes: as informações foram retiradas e compiladas Wikipedia E DIVERSOS SITES DA NET
| | Comentar »Fala sério, Dilbert!
Scott Adams, o homem que todos os dias ajuda a desnudar as situações absurdas do cotidiano corporativo, elogia Obama e, fiel a seu estilo, diz que o grande desafio das empresas continua sendo reter os melhores talentos – pagando o que eles merecem…
Fernanda Arechavaleta
Foi na volta de suas férias em Fuji, enquanto alternava exercícios na bicicleta ergométrica de sua casa, na região da baía de São Francisco (Califórnia), que Scott Adams se dispôs a responder às perguntas de AMANHÃ. Criador de Dilbert, o personagem de quadrinhos mais conhecido no mundo corporativo, Adams revela um pouco de si nesta entrevista. Formado em Economia pelo Hartwick College (Nova York), com máster na Universidade da Califórnia, desenvolveu uma trajetória eclética. Trabalhou em um banco e em companhias de telecomunicação, fez um curso profissional de hipnose e acabou largando tudo para se dedicar ao seu projeto de vida: o cartum. Mais do que provocar gargalhadas em leitores de 65 países, seu personagem Dilbert representa uma crítica a todas as situações absurdas do cotidiano das empresas. Por trás das trapalhadas do Dilbert está um homem que luta, há alguns anos, contra uma rara doença cerebral que lhe prejudica a fala. Otimista, Adams acredita que Barack Obama é o homem certo para lidar com uma crise “que talvez já seja maior do que nós”, como advertiu na segunda rodada de perguntas de AMANHÃ, após o desfecho da eleição norte-americana.
Todo o mundo acompanhou com muita atenção a corrida presidencial norte-americana. Qual sua visão sobre a campanha e sobre os candidatos?
Durante o período eleitoral, eu financiei, a um custo bastante alto, uma pesquisa com economistas para saber qual o candidato que na opinião deles poderia fazer o melhor trabalho para recuperar a economia norte-americana. Incrivelmente, essa informação nunca foi apresentada para os eleitores americanos. A pesquisa foi feita no mês de agosto, antes do derretimento dos mercados financeiros. Os economistas que participaram do levantamento eram, na sua maioria, democratas e independentes – como a maioria dos economistas dos Estados Unidos. Na época, eles apoiavam amplamente as propostas econômicas de Barack Obama.
Você acredita que Obama conseguirá lidar com a turbulência econômica e financeira, a partir de sua capacidade de diálogo com outras nações, ou acabará engolido pela crise?
Eu acho que Obama vai se mexer rapidamente para aumentar os impostos da parcela mais rica da população. Fora isso, acredito que ninguém saiba o que vai acontecer realmente. Acredito que Obama é um homem brilhante e é capaz de entender o problema pelo qual estamos passando de uma maneira muito mais profunda do que a maioria dos líderes. Ele fará um bom trabalho como guia do país em meio a essa bagunça – mas é provável que o problema já seja maior que a força de todos nós.
O que o Brasil tem a aprender com os Estados Unidos ou com a China?
Ainda não estive aí, mas o Brasil está na lista dos países que quero visitar no curto prazo. Eu acho que o Brasil não precisa de lições dos Estados Unidos e nem da China. Os Estados Unidos estão encalhados e a China não se parece com nenhum outro lugar no mundo. Por isso, não são modelos a ser seguidos.
Você tem um modelo de líder do mundo contemporâneo?
Sempre admirei Bill Gates. Ele é seguro, brilhante, bem intencionado e pensa grande.
Por que você escolheu o mundo corporativo como tema dos quadrinhos? Devemos interpretar isso como uma crítica ao modelo de organização da maioria das empresas?
A escolha do tema foi determinada pelos meus leitores. No início, o Dilbert quase não era visto em seu ambiente de trabalho. Vários leitores, no entanto, entraram em contato comigo por e-mail. Eles tinham a impressão de que a figura do Dilbert era mais bem associada ao ambiente de trabalho. Foi aí que eu optei por mudar o cenário dos quadrinhos para o escritório. Na verdade, Dilbert é uma crítica a todas as situações absurdas do cotidiano. Acontece que essas situações são mais recorrentes no ambiente de trabalho.
Quais são, a seu ver, os principais desafios que a área de recursos humanos das empresas enfrenta? Os líderes estão preocupados em solucionar esses problemas?
O principal desafio continua sendo sempre o mesmo: contratar e reter os melhores colaboradores. E é preciso fazer isso, convencendo-os de que eles não valem mais do que a média do mercado – do ponto de vista da remuneração. No entanto, há um novo problema, mais recente: fazer com que o empregado, que tem telefone celular com conexão rápida à internet, trabalhe com alta produtividade ou, até mesmo, preste atenção durante as reuniões. As tentações são muito acessíveis. Isso significa que os empregadores devem estar sempre preocupados com a evolução das tecnologias de comunicação. E, ao mesmo tempo, os chefes e líderes precisam entender que existe uma nova forma de relação entre as pessoas e o mundo – e o bom desempenho do negócio também depende disso.
Pagar menos aos melhores colaboradores não expõe a empresa ao risco de ter talentos com baixa auto-estima e menor produtividade?
Esse é o maior desafio justamente porque não é fácil encontrar uma solução para ele. Algumas empresas mascaram o problema temporariamente, porque elas têm uma ótima rentabilidade e conseguem pagar salários maiores do que a média do mercado. Já as demais companhias estão perdendo os melhores colaboradores, que vão em busca de empregos mais interessantes. Uma forma de diminuir essa perda dos talentos é fazer com que as condições de trabalho sejam as mais agradáveis possíveis. Fora o salário, o que os colaboradores mais desejam é ter algum grau de controle sobre seu trabalho, além da oportunidade de aprender coisas novas. Mas, infelizmente, é impraticável para a empresa, sob o ponto de vista da produtividade, dar aos colaboradores o controle que eles gostariam de ter sobre suas atividades, ou deixá-los aprender o que gostam. Então, o desafio é encontrar o equilíbrio.
O Dilbert seria considerado um bom colaborador? Quem o contrataria?
Dilbert seria, sim, um ótimo colaborador. Ele é inteligente, educado e ama desafios técnicos. O melhor de tudo: ele é muito submisso, jamais pediria um aumento de salário. Então, eu o contrataria.
Existem Dilberts em todo o mundo?
O personagem é popular em 65 países. Então deve haver Dilberts em todas as partes. Há alguns anos, quando costumava participar de eventos corporativos, eu conhecia tipos de Dilberts do mundo todo.
Os modelos de recursos humanos das empresas favorecem a multiplicação ou a escassez de figuras como Dilbert?
Empresas como o Google, que dispõem de muitos recursos financeiros, podem se dar ao luxo de empregar ótimas pessoas e de tolerar muitos projetos criativos, embora falidos, como são as idéias do Dilbert, que é um eterno sonhador. Todas as demais companhias precisam ter controle sobre o que seus empregados fazem para conservar seus negócios e seu capital.
Que tipo de ensinamento você quer transmitir com os quadrinhos?
Não tenho pretensão de ensinar nada a ninguém – isso me transformaria exatamente no tipo de pessoa de quem costumo zombar. Mas posso dizer que os conceitos que não funcionam nos quadrinhos de Dilbert devem ser vistos de uma maneira ainda mais cética no mundo real.
Como surgiu a inspiração para criar o Dilbert? Você trabalhou com alguém que tinha essas características?
A forma física foi inspirada em um colega com quem trabalhei em um banco. Ele não sabe, mas foi o modelo para o meu personagem. Já a personalidade do Dilbert resulta de uma mistura de minhas próprias tendências “nerds” com aquelas dos engenheiros com quem trabalhei no banco e, mais tarde, em uma companhia de telecom. Já o nome Dilbert foi, ironicamente, sugestão de um ex-chefe.
De onde vêm as idéias para as tiras e qual a maior dificuldade na hora de criar um novo quadrinho para o Dilbert?
A maioria das idéias dos quadrinhos são sugestões dos leitores, geralmente enviadas por e-mail. São eles que me mantêm informado sobre o que acontece no mundo corporativo. Em relação à criação, talvez “dificuldade” não seja a palavra mais adequada para definir esse processo. Geralmente, nunca é suficiente pensar apenas no desenho e no conceito do quadrinho. A escolha precisa das palavras faz a diferença e isso talvez seja o mais complicado.
De todos os quadrinhos que já desenhou, qual o que você mais gosta?
Eu gosto de um no qual Asok, o estagiário, reclama que sua remuneração é muito baixa. Por isso, ele é obrigado a fazer suas cuecas reciclando as sacolas de lanche que usa para levar os sanduíches.
Você é diplomado em hipnose. Isso influencia o seu trabalho como cartunista?
Nos quadrinhos, uso as habilidades de hipnose o tempo todo. Por exemplo, Dilbert não tem sobrenome e a empresa em que ele trabalha, assim como o chefe, não tem nome. É um truque para fazer com que as pessoas se relacionem mais facilmente com o personagem. Ao construir o quadrinho, eu tiro as referências que podem levar os leitores a pensar: “Eu não trabalho nesta empresa”.
No mundo atual, é possível conciliar sucesso no trabalho e qualidade de vida?
Na maioria dos empregos, não. Falta tempo no dia para trabalhar, se exercitar e ainda passar algumas horas com a família e com os amigos. Muitas pessoas deixam de lado os exercícios físicos e se sentem infelizes. Não conheço ninguém que tenha encontrado sucesso profissional, com boa saúde e tempo para a família. Todos deixam de fazer uma dessas coisas. Eu trabalho por conta própria, em casa, e é uma contínua batalha fazer tudo o que preciso fazer. Agora, estou construindo uma quadra de tênis em casa, para ver se consigo me exercitar e passar mais tempo com a família. Mas não sei se isso vai funcionar como eu gostaria.
| | Comentar »A Incompetência das Lideranças
Tom Coelho
Chego de viagem, após quase uma semana fora de casa, e encontro meu telefone inoperante – mudo, como se costuma dizer. Além da linha, o serviço de conexão à internet por banda larga também está indisponível.
Ligo para o suporte da Telefônica, maior operadora de telefonia fixa de São Paulo, e sou atendido por um “inovador sistema de reconhecimento de voz”, em verdade, uma invencionice irritante e pouco pragmática.
Após alguns minutos, consigo chegar ao “atendimento humano”, quando sou informado de que o reparo será efetuado “em até 48 horas”, como se este prazo fosse desprezível para quem tem na internet um instrumento de trabalho.
Resignado, aguardo as tais 48 horas. E nada. A partir daí, e ao longo de mais uma semana, o que se sucede é um conjunto de eventos lamentáveis. Um verdadeiro elogio à omissão, negligência, inépcia e incompetência. Outros três protocolos de atendimento são abertos. Um quarto chamado é feito à ouvidoria, um departamento com a suposta missão de atuar como uma corregedoria, mitigando as tantas falhas de atendimento processadas nos estágios anteriores. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também é acionada. Por duas vezes um técnico chega a comparecer em minha residência, porém abandona o local sem concluir o conserto ou prestar qualquer satisfação convincente. A solução que encontrei foi cancelar o serviço.
Este relato é apenas mais um em meio a esta selva de desatendimento que assola as organizações. Os produtos estão comoditizados, a tecnologia está acessível e os sistemas de gestão de assemelham. Mas as companhias continuam pecando naquele que é o único e sustentável diferencial competitivo: a qualidade do atendimento.
Conheço a Telefônica. É uma empresa que tinha tudo para ser admirada pelo trabalho realizado após a privatização da telefonia pública, democratizando o acesso à comunicação. Em apenas sete anos, o número de terminais fixos instalados dobrou e o índice de digitalização da rede atingiu a marca de 100%. Um novo pedido de ligação é cumprido em até cinco dias úteis, um grande avanço em relação aos tempos dos “planos de expansão”, quando aguardávamos 24 meses pelo direito de receber um tronco telefônico.
Entretanto, a empresa é reputada pelo seu fracasso no atendimento, liderando seguidamente o ranking de reclamações no Procon. Mas, ao contrário do que se poderia postular, o problema não está nos indivíduos que fazem o primeiro atendimento, profissionais de telemarketing, em geral, mal remunerados, carentes de preparo, que trabalham sob extrema pressão e em condições laborais estressantes. Falam seguindo um script padronizado, usam do famoso gerundismo para se comunicar, anotam as ocorrências em um sistema informatizado e, sobretudo, raramente gostam do trabalho que exercem. A partir daí, o que temos é uma legião de coordenadores, supervisores e gerentes que, em sua maioria, escondem-se covardemente atrás destes atendentes, negando-se a falar com os clientes mesmo quando solicitados.
De que adiantam palestras, cursos e treinamentos de capacitação e desenvolvimento gerencial quando as lideranças não se mostram dignas de respeito? A lição básica consiste em liderar pelo exemplo, mas o que vemos é a falta de bom senso, profissionalismo e ética.
O pior é constatar que algumas decisões são meramente atuariais. Investir em infra-estrutura para evitar problemas sistêmicos e ampliar o quadro de funcionários para agilizar o atendimento são expedientes mais custosos do que lidar com clientes descontentes, em especial quando são poucos os que levam suas reclamações às vias de fato.
É por isso que finalizo convidando você, leitor, a telefonar periodicamente para sua própria empresa ou departamento sob sua responsabilidade para checar a qualidade do atendimento. Disfarce a voz, assuma o papel de consumidor e simule um problema que precisa ser resolvido. Observe não apenas como age sua recepcionista, mas em especial como atuam as lideranças para a solução do caso. Talvez você se surpreenda. E negativamente…
* Tom Coelho, com formação em Publicidade pela ESPM, Economia pela USP, especialização em Marketing pela Madia Marketing School e Qualidade de Vida no Trabalho pela USP, e mestrando em Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente pelo Senac, é consultor, professor universitário, escritor e palestrante. Diretor da Lyrix Desenvolvimento Humano, Diretor Estadual do NJE/Ciesp e VP de Negócios da AAPSA.
Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br.
Emprego Longe de Casa
Mesmo com a crise, alguns países têm falta de especialistas para desempenhar certas funções. Daí caçarem profissionais no exterior. Eis a lista de quem mais contrata estrangeiros e o que eles devem esperar ao chegar.
FALTA GENTE Na Alemanha, a indústria de eletrônicos e a construção civil são alguns dos setores que mais recrutam estrangeiros com Ph.D.
ALEMANHA
Especialistas mais procurados: engenheiros e programadores de sistemas
Salário médio: 170 000 reais por ano
Quem tem mais chance: pessoas que já tenham uma oferta de emprego – pré-requisito para o visto de trabalho
Comentário: uma vez com o visto, o governo oferece aulas de alemão e garante acesso a serviços públicos, como ocorre com qualquer cidadão local. É bom saber que a maioria desses empregos está em cidades menores
CANADÁ
Especialistas mais procurados: químicos, engenheiros mecânicos e matemáticos
Salário médio: 95 000 reais por ano
Quem tem mais chance: pessoas de até 35 anos, com pelo menos três anos de experiência na área e nível intermediário de francês (a província que mais recruta é a de Quebec). Esses são pré-requisitos para ser selecionado pelo escritório de imigração, em São Paulo, e, depois, requisitar o visto de residência no país, uma exigência para trabalhar lá
Comentário: o trâmite pode durar até um ano e não é garantia de emprego. No Canadá, organizações ligadas ao governo ajudam os imigrantes a arranjar trabalho
INGLATERRA
Especialistas mais procurados: analistas de sistemas e profissionais de tecnologia da informação
Salário médio: 70 000 reais por ano
Quem tem mais chance: candidatos fluentes em inglês, altamente qualificados na área em que pretendem trabalhar e que comprovem renda para se manter na Inglaterra enquanto procuram emprego. São esses que costumam conseguir o visto de trabalho
Comentário: é melhor saber onde procurar emprego ainda no Brasil. Um bom
site é o www.ukjobly. <http://www.ukjobly.com> com
Almir Bindilatti
http://veja.abril.com.br/261108/imagens/guia5.jpg
Sobram vagas
Áreas em que é maior o déficit de mão-de-obra qualificada no Brasil, segundo um novo levantamento
1. Petroquímica
2. Bancos
3. Engenharia civil
4. Farmacêutica
5. Agrícola
Fonte: consultoria DMB
Novas formações universitárias…
…e o que os profissionais dessas áreas fazem
Tecnologia oftálmica
Desenvolvem aparelhos e podem prestar assistência aos oftalmologistas
Tecnologia em agrimensura
São especialistas em técnicas de medição e demarcação de terras
Comunicação assistiva
Estão aptos a ensinar e a traduzir tudo para o braille e a linguagem de sinais
Gestão da informação
Concebem softwares para a organização e o armazenamento de informações
Engenharia de redes de comunicação
Criam, monitoram e operam redes de telefonia e de televisão
Fonte: Inep – Com reportagem de Camilla Costa – Revista VEJA
Emprego x Crise
Dados sobre emprego são sinal de alerta sobre crise
O estrangulamento do crédito bancário, resultado direto da crise financeira
global, já começou a fazer vítimas no mercado de trabalho brasileiro. E as
perspectivas são de uma piora considerável nesse cenário em 2009.
Fonte: Valor Econômico
Ao divulgar, na semana passada, os dados mais recentes referentes à criação
de empregos com carteira assinada, o Ministério do Trabalho mostrou que a
indústria de transformação registrou no mês passado o pior desempenho dos
últimos dez anos, pelo menos, para os meses de outubro. O saldo entre
admissões e demissões resultou em apenas 8.730 novos postos de trabalho, o
menor para este período desde 1999, último ano com dados disponíveis no site
do Ministério do Trabalho. O resultado – pior do que o registrado em anos de
fraco crescimento – é o primeiro indicador que sinaliza o tamanho da
precaução que tomou conta do setor industrial diante da crise econômica.
Como resultado da parada na indústria, quatro setores encerraram o mês com
corte efetivo de vagas formais: calçados, o complexo que reúne borracha,
fumo e couros, e material de transporte e mecânica, segundo o Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged). Em outubro do ano passado, num
ambiente macroeconômico completamente diferente, a indústria tinha criado
pouco mais de 60 mil empregos formais.
Houve, na verdade, forte desaceleração na criação de empregos com carteira
assinada em toda a economia. O saldo entre contratações e demissões foi de
apenas 61.401 postos. Esse volume de novas vagas foi 70% menor que o do
mesmo mês de 2007. No acumulado de janeiro a outubro o saldo é de 2,147
milhões de empregos, que representam um crescimento de 18,52% sobre o total
de vagas abertas no mesmo período no ano passado. Antes deste outubro, o ano
com menor número de novas vagas abertas nesta época do ano foi 2002, com 36
mil empregos novos – 16 mil deles na indústria.
Mantida essa tendência, e não há razões fortes o suficiente para interromper
o ciclo de desaceleração do emprego, a crise vai se aprofundar. Em
entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo” de domingo, o presidente das Lojas
Renner, José Galló, foi bastante enfático ao dizer que sua empresa já sente
uma redução nas vendas e previu que o consumo deve se retrair ainda mais no
começo de 2009. Para ele, uma melhoria no varejo só virá no segundo semestre
de 2010. “A crise já chegou ao consumidor brasileiro”, disse. Para ele, os
primeiros afetados foram pessoas das classes A e B, com relação mais direta
com o mercado financeiro. Os próximos a sentir a força da crise serão os
consumidores das classes D e E, através do desemprego, que Galló espera que
ganhe força em fevereiro de 2009.
Até agora, de forma geral, o comércio não começou a dispensar seus
funcionários – o que seria altamente dramático porque os meses de novembro e
dezembro são os melhores em termos de faturamento para o setor varejista
dado o aumento do consumo por conta das festas de fim de ano. Segundo o
Ministério do Trabalho, no que se refere ao emprego, o comércio foi o setor
mais dinâmico de outubro, quando criou 54.590 vagas – número um pouco
inferior às 63 mil vagas abertas no segmento no mesmo mês do ano passado. Em
seguida estão as empresas de serviços, com saldo de 36.142 postos,
destacando-se as atividades de transportes e comunicações, administração de
imóveis, alojamento e alimentação. A agricultura, por motivos típicos da
época, perdeu, em outubro, 38.442 empregos com carteira assinada. O fenômeno
está relacionado à entressafra na região Centro-Sul.
A reação governamental aos dados sobre desaceleração na criação de empregos
foi olhar para o passado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que
com a desaceleração da atividade econômica, que também ocorre no Brasil, é
“natural” que o país deixe de gerar mais de 200 mil empregos por mês e passe
a um patamar menor, mas preferiu ressaltar que em 2008 será batido o recorde
do Caged, ultrapassando-se a marca dos dois milhões de empregos. “O
importante é continuar criando novos empregos, ao contrário do que acontece
nos países avançados”, afirmou. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
comparou as situações no Brasil e nos Estados Unidos. Entre janeiro e
outubro deste ano, 1,2 milhão de americanos perderam seus empregos.

