Como Estimular A Comunicação Interna Entre As Equipes?
Quem, quando criança ou mesmo na fase adulta, nunca participou do “telefone sem fio”? Aquela brincadeira aonde um grupo de pessoas se reúne e uma delas repassa uma informação para o outro, falando bem baixinho, no ouvido do colega. Em seguida, a “notícia” é repassada à pessoa seguinte e assim sucessivamente, até chegar ao último. Esse, por sua vez, fala em alto e em bom tom o que escutou e entendeu. Até hoje, nunca ouvi um consenso entre a informação inicial e a final. Sempre, no meio do caminho, há distorções, troca de nomes de pessoas ou lugares, e até mesmo a inclusão de fatos que em nada tem a ver com o que foi dito no início da brincadeira. A princípio, isso pode parecer sem importância por se tratar de um momento de descontração entre amigos.
No entanto, fato similar ocorre no dia a dia das empresas. Prova disso, são os ruídos, os rumores e as fofocas que transitam pelos corredores da organização, dando margem e “credibilidade” à tão conhecida “rádio peão”. Ao contrário do que muitos possam imaginar, trabalhar o fluxo de informações no ambiente de trabalho é extremamente necessário. Abaixo seguem algumas sugestões para quem não quer ver sua empresa transformar-se em uma Torre de Babel, onde cada colaborador fala uma linguagem diferente.
1 – A comunicação interna tem um forte aliado: a liderança. Isso porque cabe ao gestor ser o agente disseminador das informações oficiais da empresa, evitando que rumores ou fofocas ganhem espaço.
2 – Para que a equipe mantenha-se informada sobre o que envolve assuntos relacionados à empresa e às suas atividades laborais, a realização de reuniões periódicas torna-se um recurso valioso.
3 – Ao promover os encontros com a equipe, o gestor deve preparar uma pauta para não se esquecer de abordar algum assunto relevante aos seus subordinados. Mesmo que tenha uma “mente de elefante”, em algum momento a liderança pode deixar de mencionar um fato importante e que não pode ser deixado para depois.
4 – Se no decorrer da semana, alguma informação importante deve ser repassada aos colaboradores, o gestor não deve esperar. É aconselhável que se faça uma reunião “extra”. Isso pode evitar, por exemplo, que um rumor sobre demissão em massa tome proporções que fertilizem a imaginação das pessoas e as deixem preocupadas.
5 – Lembre-se que comunicação pede um fluxo de informações. Ou seja, não é suficiente apenas repassar um dado, um acontecimento. É preciso abrir espaço para que os funcionários possam tirar dúvidas e apresentar sugestões. Afinal, eles fazem parte da organização e como tal, merecem o direito serem ouvidos.
6 – Durante a reunião com a equipe, é interessante que as informações mais relevantes sejam anotadas e, posteriormente, registradas. Essa “Ata” poderá ser distribuída no mural do departamento ou através do e-mail corporativo. Caso algum funcionário não tenha comparecido ao encontro, ele também ficará ciente do que foi mencionado, debatido ou analisado na sua ausência.
7 – Caso alguma questão seja apresentada por um colaborador e o gestor não tenha a resposta exata naquele momento, deve-se averiguar e dar um feedback não apenas a quem fez a pergunta, mas também aos demais profissionais.
8 – Mantenha-se disposto a dar mais informações aos membros de sua equipe. Algumas pessoas podem ficar inibidas para apresentar dúvidas, fazer questionamentos diante dos colegas.
9 – Se um membro da sua equipe procurá-lo para tirar alguma dúvida ou mesmo quiser conversar sobre alguma “novidade” que circula pelos corredores da empresa, não hesite em ouvi-lo. Mesmo que naquele momento a liderança esteja resolvendo algum assunto que não pode “esperar”, deve-se pedir ao colaborador que volte em algum outro horário. Mas, nunca se deve mostrar ar de desdém, pelo contrário. Pois se isso ocorrer, dificilmente aquela pessoa recorrerá novamente à sua liderança.
10 – Quando a organização oferece canais de comunicação formais como impressos, e-mail corporativo ou intranet, por exemplo, a liderança deve aproveitar esses recursos e estimular que os membros da sua equipe leiam o conteúdo divulgado. Essa é uma forma de disseminar informações com total credibilidade.
Patrícia Bispo- Formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.
| | Comentar »Falar a Mesma Língua – Comece Agora
Publicitária pela Universidade de São Paulo, é atualmente pesquisadora do comportamento humano nas organizações e atua como consultora e palestrante desenvolvendo conteúdo em Qualidade de Vida e Desenvolvimento Pessoal. Começou a carreira na área de Marketing e Relações Públicas, além de ter exercido a publicidade nos Estados Unidos. Foi redatora e editora do jornal Folha da Tarde e desenvolveu projetos jornalísticos televisivos para o SBT. É empreendedora há mais de uma década e tem proferido palestras e treinamentos comportamentais em todo o Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Entre os temas mais importantes está a Liderança, o Uso Inteligente dos Recursos, Administração do Tempo, Postura Profissional e, sobretudo, Saúde Financeira – Finanças Pessoais. Colabora com conteúdo para programas de rádio e televisão de todo o país, bem como portais internet.+ textos de Suyen Miranda
“Sabe onde fica o paraíso? É qualquer lugar onde todo mundo fala a sua língua. Só isso”.
Como seria bom se todos compreendessem claramente nossos pensamentos, nossas ideias, nossos conceitos… Mas enquanto vivemos numa sociedade felizmente repleta de diferenças, pense o quanto é complicado viver num ambiente no qual você não consegue ser efetivamente compreendido. Um ambiente onde a linguagem difere demais do seu modelo de pensamento e cultura.
Agora pense em viver num ambiente aonde todos compreendem o seu sistema de símbolos, suas comparações e sua cultura. Muito mais fácil – mamão com açúcar. Tudo o que sempre desejamos, principalmente quando somos os dirigentes das ideias a se tornarem ações.
Uso esta análise para exemplificar como é importante compreender e ser compreendido, seja você líder ou não. Ter e praticar a mesma linguagem, seria isso impossível? Não parece ser, embora requeira esforço e principalmente empatia para se colocar no lugar do outro. Isso é algo que se consegue com esforço e atenção, notadamente quando se trata de uma relação na qual temos interesse – comercial, afetivo, financeiro, qualquer – e precisamos de um resultado positivo.
Muita gente ainda acredita que se comunica bem, porque usa belas palavras e tem vasto conhecimento sobre um determinado assunto. Isso, para elas, basta; mas numa comparação singela, seria o mesmo que imaginar que qualquer jogador de futebol é um técnico nato, pois domina a bola, conhece sua performance, joga muito bem – mas não, necessariamente, será capaz de claramente explicar o que se espera de muitos jogadores juntos em uma partida. É preciso compreender o processo do outro, e neste caso de todos os outros que formam o time, para que a mensagem seja claramente compreendida, sem ruídos ou ausências.
Olhar o mundo pelos olhos do outro é outro aspecto que não pode ser negligenciado quando se trata de comunicação eficaz. Como será a melhor forma de expressar a ideia de um novo projeto de modo que a equipe esteja motivada para assumir este desafio com competência? Não é suficiente ter o projeto pomposo, bem redigido, com a melhor tecnologia gráfica disponível. É preciso ultrapassar limites e estrategicamente pensar a forma de comunicar isso para assim ir além, com resultados motivadores, dignos do desafio.
Para ilustrar como a comunicação é fundamental para a interação na sociedade trago uma história muito não verbal. A pessoa que me contou dirigia tarde da noite numa transversal da marginal Tietê. À frente dois carros passavam meio lentos, como que “segurando” o tráfego. Ela acelerou e passou pela direita, visando ganhar espaço e desenvolver o carro.
A ultrapassagem, que seria somente para sair de trás dos veículos lentos, foi interpretada como uma provocação. Os dois carros rapidamente aceleraram como que se estivessem numa corrida, um racha. Começaram a agir ao volante como que numa intimidação, buscando fechar o “adversário”. Por bom senso e compreensão atrasada da linguagem, esta amiga manteve o controle e optou por seguir em direção diferente, evitando outra situação de confronto no tráfego. Assim, o “racha” acabou e tudo correu bem.
No entanto, se esta amiga estivesse armada ou mesmo inconsciente de seus atos – e, portanto, facilmente reagiria considerando a provocação uma afronta pessoal, coisa que não era – a situação teria um final péssimo. Isso se deveria não por uma rivalidade existente, mas por uma linguagem mal compreendida que trouxe uma interpretação ofensiva. O acelerar para se desvencilhar de carros lentos foi compreendido como uma provocação para o sistema de crenças e cultura dos dois motoristas. Por pouco o caso não se transformou em algo de graves e grandes proporções.
Quando lideramos pessoas precisamos estar muito conscientes do papel do líder, que é acima de tudo inspirar e ser exemplo. Será que estamos preparados para liderar com consciência e empregar nossa comunicação de forma a estabelecer confiança, base fundamental de uma equipe de sucesso? Pense nisso e cuide conscientemente de sua linguagem.
Suyen Miranda
| | Comentar »Ruídos na Comunicação
Atualmente, apesar das profundas evoluções tecnológicas verificadas, com o diversificado leque de meios e formas de comunicação, ainda existem problemas que impedem o desenvolvimento de uma comunicação efetiva, por falta, falhas e até mesmo excesso de informações.
Estes obstáculos à comunicação, mais propriamente à eficácia da comunicação, mais conhecidos por ruídos, de uma maneira geral, são freqüentes e temidos pelos gestores conscientes da importância da comunicação na organização.
Segundo Gessner (2007), ruído é uma perturbação indesejável em qualquer processo de comunicação, que pode provocar danos ou desvios na mensagem.
Os ruídos normalmente são causados por alguns fatores (Mendonça, 2009):
- ambiente adverso – local em que há muito barulho, excesso de pessoas circulando poderá distrair a atenção do receptor, que por sua vez compreenderá apenas parte da mensagem emitida pelo emissor;
- o momento em que a mensagem esta sendo passada – caso o receptor não esteja concentrado para obter as informações necessárias, tenha sua atenção dividida em mais de uma atividade, a mensagem não será completamente entendida;
- linguagem inadequada – uso de termos técnicos ou palavras em idioma desconhecido pelo receptor;
- exposição descuidada – falar de temas que não são do interesse dos receptores, desviando assim a atenção, não centrando nos assuntos que são de fato importantes.
Diante das causas apontadas acima no que tange os problemas da comunicação, Soares (2008) diz que, para que isto seja evitado, é importante que as organizações desenvolvam para cada público ferramentas e programas de relacionamento específicos, buscando, assim, reduzir os inevitáveis ruídos e conflitos de interesse nas relações.
Pesquisa aponta para que 80% dos problemas corporativos são provenientes de falhas na comunicação (Machado, 2008). Baseados em dados como este, os gestores estão cada vez mais olhando para a comunicação de uma maneira geral como uma área de importância estratégica na empresa, buscando aperfeiçoar os processos e investindo em recursos para melhorar a comunicação estabelecida, vendo-a como investimento e não como custo.
As informações que circulam dentro da organização têm que ser comunicadas de forma a serem compreendidas por todos, não gerando dúvidas nem posteriores ruídos. O colaborador deve saber com exatidão tudo o que ocorre dentro da empresa, no que diz respeito a sua função, para passar adiante a informação para o cliente de forma adequada e completa. E a comunicação funcional, articulando-se de forma com duas outras vertentes da comunicação pode introduzir elementos de ruído e distorção detrimentais dos seus objetivos: falamos da vertente da partilha de valores, da cultura organizacional, de criação de sentimento de pertença, bem como da comunicação ligada à motivação e satisfação dos públicos internos.
A comunicação ocorrendo de forma efetiva trará vantagens para a empresa, para o colaborador e consequentemente para o cliente que se tornará fiel a empresa que lhe prestar o melhor atendimento.
Priscyla Caldas priscyla@exitomarketing.com.br www.exitomarketing.com.br
Referências:
Gessner, G. (2007) – Comunicação (documento online) Artigos.Com. Acedido em 13 de Junho de 2009 em: http://www.artigos.com/artigos/sociais/administracao/ comunicacao-1511/artigo.
Mendonça, M. (2009). Comunicação eficaz na empresa – A estória do cometa Halley, vídeos 1-2 (18min). Acedido em 15 de Agosto de 2009, em: www.youtube.com/watch?v=P-MWX4Az8bY&feature=related & www.youtube.com/watch?v=fbJH_H26EUg&feature=related
Soares, Paulo Henrique Leal (2008). Mídia organizacional: o agendamento estratégico in ABERJE. Comunicação Interna: A força das empresas. Vol. 4 (pp. 97-110). São Paulo: Aberje Editorial
Machado, R. (2008, 10 de Junho). A importância da comunicação como estratégia de marketing. (texto colocado no Blog doceshop.com.br) enviado para http://www.doceshop.com.br/blog/index.php/a-comunicacao-como-estrategia-empresarial-e-pessoal-tambem/. Acedido em 13 de Junho de 2009.
| | Comentar »Cuidado Com As Palavras Que Você Diz
Quem estuda ou leu sobre a Comunicação, sabe que nós temos duas formas de nos comunicar: com os outros (inter) e conosco mesmo (intra).
Independente do tipo (intra ou intercomunicação), para nos comunicarmos usamos as palavras na expressão verbal ao lado de um componente que não damos muito valor mas que é extremamente importante, a expressão corporal, ou linguagem não-verbal.
Os neurolinguistas dão muita ênfase a LINGUAGEM, pois defendem que os pensamentos são afetados pelas palavras, agindo ou reagindo sobre o nosso comportamento, podendo alterar nosso Estado Emocional.
Nesse campo, a “forma” como usamos determinadas palavras, como o “NÃO”, ou “NUNCA” tendem a gerar alterações inibidoras e cerceadoras. É muito comum, por exemplo, alunos de oratória dizerem repetidamente ao longo de sua vida (até o curso de oratória) que NÃO CONSEGUEM FALAR EM PÚBLICO. Se passassem a construir frases mais alentadoras como PRECISO FALAR EM PÚBLICO, o seu Estado Emocional propiciaria respostas e resultados mais animadores e o problema seria resolvido.
Alguns exemplos do poder cerceador de determinadas palavras dentro de frases:
- Não diga não ao seu coração. O certo não seria > aceite o que seu coração mandar?
- Nunca diga não. Não seria melhor > sempre que possível diga sim?
- E o Chacrinha: quem não se comunica, se trumbica. Não seria aconselhável > quem se comunica, vive melhor?
Luzardo
| | Comentar »Riqueza da Língua
Ferramenta fundamental na carreira e no crescimento
pessoal, o português pode ser transformado por um
acordo ortográfico.
MEIA-SOLA ORTOGRÁFICA
“Sou contra o acordo. Sei que isso é um tiro no próprio pé, pois, se o acordo passar, vou ser chamado para fazer muitas palestras. Mas não quero esse dinheiro, não. Com outro espírito, outra proposta, uma unificação talvez fosse possível. Mas esta é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato e mexe mal em pontos como o acento diferencial. Vamos enterrar dinheiro em uma mudança que não trará efeitos positivos.”
Pasquale Cipro Neto,
professor de português
Engavetado desde sua assinatura, em 1990, voltou a assombrar o acordo ortográfico que visa a unificar a escrita do português nos países que o adotam como língua oficial. O Ministério da Educação chegou a anunciar a entrada em vigor da reforma no Brasil já em 2008. Felizmente, essa data foi postergada. Por mais modorrenta que seja, essa discussão não deve se extinguir. Ela tem implicações profundas de ordem técnica e comercial, além de provocar ainda mais ansiedade nos milhões de brasileiros mergulhados em dúvidas no seu empenho diário para falar e escrever bem. Dominar a norma culta de um idioma é plataforma mínima de sucesso para profissionais de todas as áreas. Engenheiros, médicos, economistas, contabilistas e administradores que falam e escrevem certo, com lógica e riqueza vocabular, têm mais chance de chegar ao topo do que profissionais tão qualificados quanto eles mas sem o mesmo domínio da palavra. Por essa razão, as mudanças ortográficas interessam e trazem dúvidas a todos. O acordo diz como se devem usar o hífen e o acento agudo e outros desses minúsculos sinais gráficos que já fizeram estatelar muitas reputações. A diferença entre um sucesso e um vexame pode ser determinada por uma simples crase mal utilizada. Portanto, não há como ignorar quando os sábios se reúnem para determinar o que é certo e errado no uso do português.
Nas grandes corporações, os testes de admissão concedem à competência lingüística dos candidatos, muitas vezes, o mesmo peso dado à aptidão para trabalhar em grupo ou ao conhecimento de matemática. Diversas pesquisas estabelecem correlações entre tamanho de vocabulário e habilidade de comunicação, de um lado, e ascensão profissional e ganhos salariais, de outro. Salte-se agora do micro para o macro. Uma decisão aparentemente arcana sobre o uso correto do trema, por exemplo, pode ganhar contornos bem mais amplos em um momento em que os idiomas nacionais sofrem todo tipo de pressão desestabilizadora. Como diz o lingüista britânico David Crystal (veja entrevista), a globalização e a revolução tecnológica da internet estão dando origem a um “novo mundo lingüístico”. Entre os fenômenos desse novo mundo estão as subversões da ortografia presentes nos blogs e nas trocas de e-mails e o aumento no ritmo da extinção de idiomas. Estima-se que um deles desapareça a cada duas semanas. Cresce a consciência de que as línguas bem faladas, protegidas por normas cultas, são ferramentas da cultura e também armas da política, além de ser riquezas econômicas.
A reforma do português ora em curso vai se defrontar com um desafio inédito. Outras mudanças foram feitas em situações em que era bem menos intenso o ritmo de entrada de palavras e conceitos na corrente da vida cotidiana. Em tempos de internet, as línguas, por natureza refratárias a arranjos de gabinete e legislações impostas de cima para baixo, podem se comportar como potros indomáveis. Quem vai ligar para as novas regras de uso do hífen quando mantém longas e satisfatórias conversações na internet usando apenas interjeições e símbolos gráficos como os consagrados “emoticons” para alegre :-) ou triste :-(?
David Crystal cunhou o termo netspeak para designar as formas inéditas de expressão escrita que a internet gerou. A inclusão de símbolos audiovisuais, os links que permitem “saltos” de um texto para o outro – nada disso existia nas formas anteriores de comunicação. A comunicação por escrito se tornou mais ágil e veloz, aproximando-se, nesse sentido, da fala. “A necessidade de diminuir o tempo de escrita e se aproximar do tempo da fala levou os usuários a ser cada vez mais objetivos e compactos”, diz o lingüista Antonio Carlos dos Santos Xavier, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Essa tendência é mais notória nas conversas que os adolescentes mantêm através de programas como o MSN, com abreviações como blz (beleza) e frases de sonoridade tribal como bora nu cinema – pod c as 8? (vamos ao cinema – pode ser às 8?). Mas o netspeak não é só para os imberbes. Até no âmbito profissional a objetividade eletrônica está imperando. A carta comercial que iniciava com a fórmula “vimos por meio desta” é peça de museu. “Gêneros como a carta circular ou o requerimento estão em extinção. O e-mail absorveu essas funções”, observa a lingüista Cilda Palma, que, em sua dissertação de mestrado na UFPE, estudou a comunicação interna de uma empresa pública – um posto regional dos Correios – e de uma empresa então recentemente privatizada, a Petroflex. Ela constatou que a correspondência eletrônica tornou a comunicação mais informal – e que essa tendência foi mais longe na empresa privada. Observa a pesquisadora: “Os Correios ainda mantêm uma infra-estrutura anacrônica, que exige fotocópias e carimbos nos comunicados internos”.
Embora a língua sofra ataques deformadores diários nos blogs e chats, a palavra escrita nunca foi usada tão intensamente antes. Os mais otimistas apostam que os bate-papos da garotada travados com símbolos e interjeições hoje podem ser a semente de uma comunicação escrita mais complexa, assim como o balbuciar dos bebês denota a prontidão para a fala lógica que se seguirá. Pode ser. Seria ótimo que fosse assim. Por enquanto, uma maneira de se destacar na carreira e na vida é mostrar nas comunicações formais perfeito domínio da tradicional norma culta do português. Vários estudos demonstram a correlação positiva entre um bom domínio do vocabulário e o nível de renda, mesmo que não se possa traçar uma correlação direta e linear entre uma coisa e outra. Além de conhecer as palavras, é preciso que se tenha alguma coisa a dizer de forma lógica e racional. O vocabulário, por si só, não garante precisão ou beleza na escrita. “Machado de Assis compôs toda a sua obra com aproximadamente 12.000 vocábulos, enquanto Coelho Neto, autor ilegível, teria empregado mais de 35.000 palavras diferentes na sua longa e obscura carreira”, lembra o professor de português Cláudio Moreno. Mesmo que pareça meio quadrado na mesa do bar, quem mais se distanciar do linguajar trivial dos chats nas comunicações formais mais será notado pela competência.
É empobrecedor, porém, ignorar a revolução cultural da internet. Como toda inovação tecnológica abrangente, a civilização digital ampliou o léxico de muitos idiomas, entre eles o português. E o fez, basicamente, pela incorporação de palavras em inglês (site, download, hardware). Essas adições causam horror aos puristas da linguagem. Bobagem. A maior fonte de enriquecimento dos idiomas em todos os tempos é a incorporação de vocábulos oriundos de línguas estrangeiras e de revoluções tecnológicas. O português cresceu muito enquanto seus navegadores exploravam os “mares nunca dantes navegados” cantados por Luís de Camões. “Calcula-se que o português medieval tinha perto de 15 000 vocábulos. Em meados do século XVI, com a expansão marítima, o total chegaria a 30.000, 40.000″, observa o filólogo Mauro Villar, do Dicionário Houaiss. Nesse processo, é preciso levar em conta também a popularização do vocabulário especializado, que em geral não entra nos dicionários. Por mais abrangente que seja um dicionário, ele recolhe apenas algumas centenas de milhares de palavras. O Houaiss tem perto de 230.000 verbetes. O Oxford English Dictionary, o famoso OED, registra 615.000. Ambos são recortes muito limitados de um universo em permanente expansão. Só as palavras necessárias à prática da medicina estariam na casa de 600.000. Eventualmente, uma grande virada em um desses campos científicos puxa o vocabulário especializado mais para perto do chão dos dicionários. DNA é um exemplo eloqüente: o acrônimo em inglês de ácido desoxirribonucléico (componente fundamental do código genético) saiu dos laboratórios e se incorporou ao dia-a-dia.
A internet é, além de tudo, um campo essencial na disputa pelo mercado dos idiomas. O estudo da economia da língua é um campo promissor. A Fundação Telefónica, da Espanha, está promovendo um projeto de pesquisa que deve durar quatro anos e pretende aferir o peso econômico do idioma espanhol no mundo. “O valor de uma língua se relaciona com sua capacidade de incentivar os intercâmbios econômicos”, explica o economista José Luis García Delgado, coordenador do projeto. Embora não seja possível atribuir uma cifra monetária a uma língua, faz pleno sentido falar no valor relativo que ela tem na comparação com outras línguas. O número total de falantes nativos é um fator essencial. O espanhol tem cerca de 450 milhões, patamar semelhante ao do inglês (o português fica em torno de 250 milhões). O inglês, porém, domina a internet: de acordo com o Internet World Stats, site que concentra números mundiais sobre a rede, 30% dos usuários da rede são falantes nativos do idioma de Shakespeare, contra 9% de usuários da língua de Cervantes. Mais importante, o inglês é forte como segunda língua. O British Council estima que pelo menos 1 bilhão de pessoas estão estudando inglês hoje no mundo.
“O inglês está destinado a ser uma língua mundial em sentido mais amplo do que o latim foi na era passada e o francês é na presente”, dizia o presidente americano John Adams no século XVIII. A profecia se cumpriu: o inglês é hoje a língua franca da globalização. No extremo oposto da economia lingüística mundial, estão as línguas de pequenas comunidades declinantes. Calcula-se que hoje se falem de 6.000 a 7.000 línguas no mundo todo. Quase metade delas deve desaparecer nos próximos 100 anos. A última edição do Ethnologue – o mais abrangente estudo sobre as línguas mundiais –, de 2005, listava 516 línguas em risco de extinção.
O português está entre os vencedores da globalização. É uma língua que vem crescendo na internet: nos últimos sete anos, o número de falantes da língua portuguesa que navegam na rede aumentou em 525% (embora ainda represente apenas 4% dos usuários). O acordo ortográfico tem a intenção manifesta de incrementar o “valor de mercado” do português. Desde o início criticada dos dois lados do Atlântico, a unificação da língua portuguesa foi uma causa cara ao filólogo brasileiro Antônio Houaiss, morto em 1999. O acordo foi firmado em 1990 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), então com sete membros – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Mais tarde, o Timor Leste também faria sua adesão. Os prazos de implantação das novas regras estipulados em 1990 nunca foram cumpridos, e a ratificação do acordo foi adiada sucessivamente. Um novo acerto firmado em uma conferência de chefes de estado da CPLP em 2004 determinou que bastaria a ratificação de três membros para que o acordo entrasse em vigor, o que aconteceu no fim do ano passado. O problema é que só os três países que ratificaram – Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe – deram mostras de querer levar a reforma adiante. Naturalmente, nenhuma unificação ortográfica merece ser chamada assim se a matriz da língua, Portugal, não a seguir. Autoridades portuguesas têm falado em esticar os prazos de adaptação às novas regras em até dez anos.
VEJA ouviu quatro profissionais da língua portuguesa. O único que considera a unificação importante do ponto de vista da política da língua é o gramático Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras. Mas ele faz restrições ao conteúdo da reforma, que teria perdido a oportunidade de racionalizar algumas regras. Os outros três especialistas são mais radicais na crítica. “É um acordo meia-sola”, avalia Pasquale Cipro Neto. Ele cita algumas palavras que continuam sendo grafadas de duas formas, conforme a pronúncia ou as idiossincrasias de cada país – caso de “cómodo” (Portugal) e “cômodo” (Brasil), ou de berinjela/beringela. “Essa idéia messiânica, utópica de que a unificação vai transformar o português em uma língua de relações internacionais é uma tolice”, diz o professor Cláudio Moreno. Sérgio Nogueira considera que só uma categoria vai ganhar vantagens com o acordo: os professores que dão aulas e palestras sobre língua portuguesa. “Se a reforma sair, vou ficar rico de tanta palestra que vou dar”, ironiza. As editoras em geral estariam no lado perdedor do acordo, já que teriam de adequar seus catálogos à nova grafia. O custo médio para a revisão e a preparação de um único livro ficaria em torno de 5.000 reais. A revisão de enciclopédias e dicionários seria ainda mais custosa. “Só a atualização do nosso banco de dados ficaria entre 200.000 e 400.000 reais”, calcula Breno Lerner, diretor-geral da Melhoramentos, que publica os dicionários Michaelis.
As diferenças culturais não se resolvem assim apenas com um golpe de pena. Mesmo com a ortografia unificada, dificilmente uma dona-de-casa portuguesa vai comprar um livro de culinária brasileiro que fala em “açougue” (“talho” em Portugal), e o carpinteiro brasileiro com um manual português nas mãos talvez fique embasbacado com a palavra “berbequim” (furadeira). De outro lado, a grafia cheia de letras mudas – tecto, facto, acto – não impediu o português José Saramago de ser best-seller no Brasil. Como a natureza, a arte e a inteligência sempre encontram uma maneira de se manifestar. Com a ajuda de uma norma culta e amplamente aceita, esse trabalho fica mais fácil.
Minha Pátria, Minha Língua
“Creio que a unificação do português tem um sentido político positivo. Aumenta o conceito da língua como nação. A adaptação talvez seja difícil. Mas a língua é um organismo vivo e vai seguir em frente. No meu trabalho de compositor, a ortografia repercute pouco. Nas letras de rock, a gente trabalha com a informalidade, com a fala da rua.” Tony Bellotto, músico da banda Titãs, autor de Bellini e a Esfinge e apresentador do programa Afinando a Língua
Preguiça Cética
“Encaro com grande ceticismo esse acordo ortográfico. É uma reforma tímida, que não traz grandes inovações. Mas não gostei. Queria que meus tremas ficassem onde estão. Os escritores mais velhos e mais preguiçosos têm de confiar no pessoal da editoração para fazer as mudanças necessárias no texto.” João Ubaldo Ribeiro, escritor, autor de Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro
Mudança Tímida
“Do ponto de vista político, a unificação ortográfica é importante. Implica numa maior difusão da língua portuguesa nos seus textos escritos. Mas a reforma poderia ter avançado mais e de forma mais inteligente na racionalização dos acentos e do hífen. As regras ainda são pouco acessíveis para o homem comum.” Evanildo Bechara, gramático, membro da Academia Brasileira de Letras
Simples E Civilizada
“A unificação já devia ter ocorrido antes. É uma medida civilizada. A diferença na escrita dos países que falam português atrapalha o intercâmbio econômico e editorial. Como toda reforma, essa proposta tem suas falhas. Mas acho ótimo, por exemplo, o fim do trema. Sou a favor de tudo que vai no sentido da simplificação.” Lya Luft, escritora, autora de Perdas & Ganhos e colunista de VEJA
Jerônimo Teixeira – Fonte: http://veja.abril.com.br/120907/p_088.shtml
| | Comentar »Uma Revolução Sem Gramática
Professor honorário de lingüística da Universidade do País de Gales, em Bangor, David Crystal, de 66 anos, é uma das maiores autoridades mundiais em linguagem. Autor de A Revolução da Linguagem (Jorge Zahar), ele falou a VEJA sobre as mudanças que a internet trouxe ao uso da língua e sobre as línguas em extinção.
A internet está mudando o caráter das línguas?
Em cinqüenta ou 100 anos, todas as línguas que utilizam a internet serão diferentes. Está surgindo o que chamo de netspeak, “fala da rede”, ou comunicação mediada pelo computador, em jargão acadêmico. Ainda é impossível prever, no entanto, quais serão a forma e a extensão dessa mudança. Leva muito tempo para que uma transformação efetiva se manifeste numa língua. No inglês, por exemplo, notamos uma grande diferença entre a linguagem de Chaucer e a de Shakespeare. Duzentos anos separam o nascimento de um e de outro. Pergunte às pessoas quando foi a primeira vez em que elas mandaram um e-mail. Foi há dez, talvez cinco anos. É algo recente demais. Existem curiosos fenômenos de ortografia, o uso de sinais tipográficos e dos chamados emoticons. Mas, se procurarmos por novas palavras ou uma nova gramática na internet, não encontraremos muita coisa. O inglês é uma língua com mais de 1 milhão de palavras, e somente umas poucas centenas foram incorporadas a ela por causa da internet. Isso não altera o seu caráter.
A informalidade é uma característica central do netspeak?
Sim, até o momento. Isso tudo começou com os nerds da internet, há vinte, trinta anos. E eles eram rebeldes. Viam a rede como uma revolução, uma alternativa democrática às formas de comunicação mais formais. Esses pioneiros não pontuavam, não se preocupavam com ortografia, criavam formas estranhas de grafar as palavras. Quando a internet se espalhou, a informalidade se popularizou também. Nos anos 80 e 90, e-mails se tornaram muito informais. Mas a idade média do usuário de internet vem subindo, e com isso a comunicação está ficando mais formal novamente. Acredito que os estudos sobre netspeak que virão daqui por diante vão documentar um aumento da formalidade.
O senhor afirma que, no atual ritmo de extinção, em um século teremos so metade das línguas que são faladas no planeta hoje. Por que tantas línguas estão desaparecendo?
O principal motivo é a assimilação cultural por causa da globalização. O crescimento das grandes línguas do mundo funciona como um trator, esmagando os idiomas que se põem no caminho. Isso não é um fenômeno restrito a duas ou três línguas. Não é apenas o inglês que ameaça línguas nativas na Austrália, ou o português que põe em perigo idiomas indígenas no norte do Brasil. O chinês, o russo, o hindi, o suahili – todas as línguas majoritárias ameaçam idiomas de comunidades pequenas. O futuro dessas línguas minoritárias está vinculado a políticas regionais. Nos lugares onde elas sobrevivem, há uma série de práticas políticas e econômicas que valorizam a diversidade.
O que se perde quando uma língua morre?
Quando me fazem essa pergunta, costumo rebater com outra: como seria o mundo se a sua língua não houvesse existido? O que você teria perdido, o que todos teríamos perdido se não existisse o português? Se não houvesse o inglês, não teríamos Chaucer, Shakespeare, Dickens. Quando colocamos as coisas nesses termos, as pessoas vêem. Uma língua expressa uma visão peculiar do mundo. Não importa se a comunidade que utiliza essa língua vive em uma selva, em um iceberg ou na cidade, sua história, seu ambiente e seu modo de pensar não têm igual. O único meio de comunicarmos a percepção do que é ser humano em determinado ambiente é através da linguagem.
No brasil, já houve tentativas de restringir legalmente o uso de palavras estrangeiras, especialmente do inglês. O inglês pode ser considerado em alguma medida uma ameaça ao português?
Não, de forma alguma. Esses movimentos puristas aparecem no mundo todo. E o fato básico é que todas as línguas tomam empréstimos das outras. Ao longo dos últimos 1.000 anos, o inglês incorporou palavras de mais de 350 línguas. Só 20% das palavras do inglês atual remontam às origens anglo-saxônicas e germânicas da língua. Essa incorporação de palavras tornou o inglês uma língua expressiva e rica. Shakespeare não poderia escrever o que escreveu se não contasse com um vocabulário que era germânico, francês e latino. Palavras se incorporam a uma língua não para destruí-la, mas para permitir novas oportunidades de expressão. Se cada palavra que entra no português apagasse uma palavra anterior, isso seria de fato um fenômeno estranho e indesejável. Mas não é assim que funciona. A nova palavra não substitui palavras preexistentes, ela passa a vigorar ao lado delas. A língua evolui desse modo e alcança uma gama expressiva mais ampla.
Como lidar com a questão do vocabulário importado ao educar as crianças?
Os jovens gostam de usar palavras estrangeiras, pois em geral elas soam inovadoras. Gostam também de empregar gírias que eles próprios criam. Não se pode proibir jamais crianças e adolescentes de utilizar suas formas particulares de linguagem. É como dizer a eles: “Valorizem a linguagem – mas não a sua própria”. É muito importante que, nas escolas, os estudantes aprendam toda a gama de possibilidades da língua. Eles precisam descobrir que há palavras tradicionais e palavras novas para as mesmas coisas. E devem saber também a diferença estilística entre essas opções.
Por que o inglês é a língua mais visada pelos puristas?
Pela razão simples de que é a língua mais globalizada. É sobretudo uma questão política, que varia de região para região. Quem fala quíchua, no Peru, não está preocupado com o inglês, mas com vocábulos que remetem à história do domínio espanhol sobre os povos indígenas. A política está sempre por perto nessas questões.
Jerônimo Teixeira Fonte: http://veja.abril.com.br/120907/p_088.shtml
| | Comentar »Como Desenvolver Brainstorming Eficiente
Brainstorming é um turbilhão de ideias. Além de ser muito eficiente, poderá ser executado por várias pessoas num ambiente relaxado e descontraído. Se os participantes sentirem-se livres e à vontade, usarão mais suas mentes e, então, produzirão ideias mais criativas.
Segue um passo a passo que irá ajudá-los a desenvolver melhor esse brainstorming:
• Definir o problema. Escreva concisamente o problema para que todos possam entender e que esteja de acordo com o modo que foi formulado.
• Dar tempo-limite de aproximadamente 30 minutos para o desenvolvimento desse projeto.
• Permitir que todos opinem na solução desse problema. O importante é que não haverá absolutamente crítica alguma às ideias por mais malucas que elas sejam.
• Escolher as cinco melhores ideias, após o término do tempo estipulado, e certificar-se de que todos os envolvidos estejam de acordo.
• Escrever cinco critérios que julguem ser as melhores ideias e que podem resolver o problema.
• Pontuar as ideias. Todos os critérios deverão receber uma nota de 0 a 5 pontos e, no fim, somar as pontuações.
• No fim, indicar a ideia com maior pontuação à resolução do problema, mas lembre-se: guarde o restante das ideias e aplique-as nos momentos mais indicados.
Michele Martin
| | Comentar »Feedback: Um Processo Positivo Ou Negativo?
A constante competitividade no meio corporativo levou as organizações e os profissionais a estarem atentos a tudo o que acontece ao redor e mais além, ou sejam, ao que os concorrentes estão fazendo. Isso, por sua vez, desencadeou um processo constante de observação, ou melhor, de avaliação de performance de resultados gerias e individuais dos colaboradores. Afinal, sempre é preciso superar metas e saber agir de forma mais adequada quando situações inusitadas surgem. Mas, quando chega o momento de se analisar os pontos fortes e aquele que precisam ser trabalhados, nem todas as pessoas reagem com serenidade e maturidade. Há, inclusive, quem considere a avaliação de desempenho como um caminho para uma demissão ou retaliação, em decorrência de algum fato nem tão valorizado.
Por isso, o processo de feedback tornou-se uma ferramenta aliada e indispensável às empresas que desejam incorporar uma Gestão de Pessoas eficaz. No entanto, vale ressaltar que o feedback pode ter um efeito negativo, quando conduzido por alguém despreparado e que não tenha ideia dos efeitos que esse processo causa à organização como um todo e não apenas a um determinado profissional.
Para falar sobre o assunto, o RH.com.br realizou uma entrevista com Andrea Umbuzeiro, consultora organizacional e comunicóloga com MBA em Gestão de Pessoas. “Eu diria que o respeito à diversidade nunca deve ser esquecido. É de fundamental importância a isenção de pré-julgamentos e, para isso, é indispensável que exista um preparo anterior ao processo”, alerta, ao ser indagada sobre o que nunca pode ocorrer durante a condução do processo de feedback. Confira os outros pontos que Andrea Umbuzeiro enfatizou durante a entrevista. Boa leitura!
RH.com.br – O que representa o processo de feedback para a Gestão de Pessoas?
Andrea Umbuzeiro – O feedback é uma ferramenta de retroalimentação, um processo espiral de desenvolvimento. O ser humano busca o reconhecimento a todo o momento. Em qualquer área de atuação é muito importante que a pessoa saiba se está indo bem. Para as empresas esse processo, por sua vez, também se torna fundamental para manutenção do clima organizacional. A maioria dos problemas apresentados nas empresas é oriunda do processo de comunicação mal conduzido. A principal ferramenta do feedback é a comunicação e para que esta seja assertiva o foco deve estar no receptor da mensagem, ou seja, a forma como a comunicação é apresentada, já que pode causar efeitos positivos ou não. Cada pessoa tem uma necessidade diferente no que diz respeito à qualidade e à quantidade de feedback. Dar um feedback pode ser estimulante para ambas as partes, ou seja, colaborador e empresa. Isso porque o processo de feedback contribui fundamentalmente para a qualidade final da empresa já que o relacionamento com o cliente interno passa a ser revisto com frequência.
RH – O feedback ainda recebe uma conotação equivocada no ambiente corporativo?
Andrea Umbuzeiro – Sim, isso ocorre e não é por acaso. Esse fato está relacionado a um aspecto cultural importantíssimo, pois somos acostumados apenas ao feedback corretivo. Daí, quando se fala, por exemplo, em realizar uma avaliação de desempenho ou dar um feedback imediatamente se relacionam esses processos a críticas, punições e, por vezes, até mesmo em demissões. Geralmente, a falta de preparo para o feedback fortalece ainda mais essas crenças negativas. O feedback é uma prática para a vida, altamente pedagógica. É necessário preparo para dar feedback, alinhar o conteúdo e a forma, enfim, perceber as necessidades do processo. No caso de um feedback corretivo, este deve vir acompanhado com a revisão do comportamento adequado. Para se preparar bem, para dar o feedback, é indispensável que a pessoa aprenda a ouvir. Cada pessoa é única em todos os aspectos e mesmo que estejamos falando de uma ação, cada um tem uma forma para chegar ao resultado pretendido.
RH – Em sua opinião, por que alguns profissionais resistem em receber feedback da sua performance?
Andrea Umbuzeiro – Porque o foco voltado para os resultados geralmente tira a atenção da forma de relacionamento com a equipe e dos pares. Existe implícito o impulso de não considerar as necessidades do outro na busca pelo resultado. São vários os motivos que podem levar à resistência além desse, na maioria dos casos muitos estão diretamente ligados à insegurança. Estar no mercado de trabalho é estar em uma disputa velada de poder e de status, as pessoas percebem isso de maneiras diferentes e da mesma forma reagem diferentemente.
RH – Que benefícios a prática periódica do feedback propicia aos talentos que atuam na organização?
Andrea Umbuzeiro – O principal benefício da prática de feedback é a oportunidade de melhoria através da vigia constante e correção dos rumos que devem ser adotados pela organização e seus colaboradores. A empresa que adota o processo de feedback como um hábito traz como resultado um comportamento mais assertivo e uma comunicação mais eficaz. Aos talentos de uma organização o principal benefício é a melhoria na qualidade de atuação através do aprendizado constante, que impacta diretamente na performance de cada um.
RH – Quais os impactos que esse processo gera, por exemplo, às relações empresa-colaborador e líder-liderado?
Andrea Umbuzeiro – O processo de feedback gera um estreitamento na relação colaborador-empresa, melhora o clima organizacional e proporciona uma cooperação maior entre os líderes e os seus liderados. Porém, para todos esses resultados maravilhosos, é necessária a condução do processo de forma objetiva e transparente. Comunicação uníssona.
RH – O feedback exerce influências no clima organizacional?
Andrea Umbuzeiro – Como disse anteriormente, quando bem este processo bem conduzido ajusta o comportamento, a performance e o seu reflexo no clima organizacional é imediato. O clima organizacional está intrinsecamente ligado à comunicação. Apropriar o conteúdo, a forma e o momento do feedback reforça os comportamentos valorizados pela empresa. Como ferramental de desenvolvimento o feedback positivo pode ser um estimulo à motivação dos colaboradores.
RH – Quais os equívocos mais comuns que as organizações cometem ao realizar o feedback junto aos seus profissionais?
Andrea Umbuzeiro – Posso afirmar que alguns resultados inadequados são percebidos na falta de preparo para o feedback como deixar que pré-julgamentos interfiram no processo, falta de especificidade da informação e ainda ausência de objetividade no relato de fatos. Todas as falhas apontadas estão no preparo para o processo, direcionar a comunicação ao receptor, percebê-lo, avaliar os possíveis impactos, ser impessoal e se avaliar.
RH – Para a senhora, quem deve estar à frente da condução do processo de feedback?
Andrea Umbuzeiro – Cabe ao gestor de pessoas a condução inicial do processo. No feedback atrelado à avaliação de desempenho, o líder conduz o processo detalhado de maneira objetiva e formal, porém de uma maneira informal pode ser trabalhado com uma equipe comprometida a um objetivo comum.
RH – Quem conduz o feedback deve passar por um processo de aprendizagem?
Andrea Umbuzeiro – O próprio processo de feedback deve ser considerado um aprendizado. Se fizermos uma analogia ao cotidiano, essa seria a melhor forma de conduzirmos a educação. O processo de comunicação começa com aprender a ouvir de forma aberta e impessoal, avaliar a informação para saber se é aderente ou não. Tanto para dar como para receber feedback é necessário reconhecer a si e ao outro, identificar os sentimentos, as necessidades e as reações. Uma boa ferramenta para esse aprendizado é o MBTI – Myerrs-Briggs Type Indicator®, que proporciona um autoconhecimento elevando à capacidade de comunicação.
RH – Já o profissional que recebe o feedback do seu desempenho e suas competências, também deve passar por algum treinamento específico?
Andrea Umbuzeiro – O processo de feedback dentro da organização é uma avaliação impessoal, voltada para a performance e os resultados. A tendência, na maioria das vezes, que o receptor leve isso para o âmbito pessoal o que gera uma série de conflitos pelo comportamento agressivo ou pela omissão. O treinamento é necessário para esse esclarecimento. Assim, pode-se perceber que o processo de feedback é uma oportunidade de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, pois estamos falando de pessoas.
RH – O feedback deve seguir um “roteiro básico”?
Andrea Umbuzeiro – Deve seguir um roteiro básico e orientativo, calcado nas atividades da equipe para manter o foco. O objetivo de um feedback é alinhar, promover a congruência dos objetivos do colaborador aos objetivos da empresa, adequando assim o comportamento e melhorando a performance.
RH – O que jamais deve ser feito durante a aplicação dessa ferramenta?
Andrea Umbuzeiro – A inadequação na aplicação da ferramenta é dar impressões pessoais, invadir o espaço alheio. Cada pessoa é única em sua forma de compreender e agir. É possível pessoas chegarem ao mesmo ponto desejado pela organização através de mapas diferentes. Só que uns “andam” mais outros menos. Cada indivíduo possui um ritmo, uma característica própria.
RH – Como o profissional de RH faz-se presente no processo de feedback?
Andrea Umbuzeiro – O profissional de Recursos Humanos deve estar presente desde o processo de implantação e implementação. Como gestor de pessoas o RH deve comprometer-se com o desenvolvimento da ferramenta através da boa comunicação. Ele será o mediador durante todo o processo, mantendo o feedback em um processo saudável e funcional na busca dos objetivos propostos.
Patrícia Bispo – Formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.
| | Comentar »Por que a Motivação Precisa De Uma Comunicação Clara?
Como motivar os funcionários frente às mais diversas situações que as empresas estão vulneráveis que, na maioria das vezes, exigem que as pessoas deem o melhor de si, permaneçam comprometidas e vistam a “camisa da organização”? Essa é uma resposta nada fácil de ser dada, pois cada empresa vive uma realidade diferente e se depara problemas diversos. Então, o que fazer? A solução, ou melhor, quem sabe a alternativa está justamente no ato da alta direção olhar para o que ocorre no dia a dia dos seus colaboradores, ver como estão os processos de gestão e quais os reflexos que esses exercem na empresa como um todo.
A falta de motivação é apontada no meio corporativo como um dos principais fatores que contribui para a elevação dos percentuais de absenteísmo – ausência do trabalho, bem como para o turnover – rotatividade. Quando, por exemplo, um funcionário se desliga da organização, ele leva consigo o capital intelectual que agrega significativo valo ao negócio.
A situação complica-se mais ainda quando esse mesmo profissional tem sob sua responsabilidade uma atuação estratégica e migra para a concorrência. A empresa que fica desfalcada depara-se ainda com mais um problema: contratar outro talento para assumir a vaga em aberto. No entanto, vale ressaltar que um processo de Recrutamento & Seleção não pode ser realizado da noite para o dia. Se o cargo for preenchido rapidamente, a organização corre o risco de contratar alguém que não atenda as reais necessidades do negócio.
Para evitar questões como a as citadas acima, a Intervet/Schering-Plough Animal Health, por exemplo, institui nas ações motivacionais para os colaboradores processos de comunicação como base para a política de Gestão de Pessoas. Esses mesmos processos permitem ouvir e esclarecer possíveis dúvidas dos profissionais em relação aos assuntos diretamente relacionados à companhia. Outro fator relevante é que essa transparência da organização inclui ações como gestão do desempenho e desenvolvimento, gerenciamento de talentos internos, plano de sucesso que possibilita uma real ascensão na carreira.
A Intervet/Schering-Plough Animal Health, com sede em Boxmeer, Holanda, tem seu foco em pesquisa, desenvolvimento, produção e comercialização de produtos para a saúde animal. A empresa oferece aos clientes um dos portfólios em saúde animal, abrangendo produtos de apoio ao desempenho e prevenção, tratamento e controle de doenças em todas as principais espécies de animais na pecuária e animais de companhia. A Intervet/Schering-Plough Animal Health é uma unidade de negócios de propriedade integral da Merck & Co., Inc., com sede em Whitehouse Station NJ, USA. No Brasil, a companhia conta com unidades a empresa conta com fábricas nas cidades de Fortaleza/CE, Cotia/SP e Cruzeiro/SP.
De acordo Eliana Klabunde, diretora de Recursos Humanos da Intervet/Schering-Plough Animal Health, as ações motivacionais beneficiam todos os funcionários da companhia. Ela explica que o comprometimento da empresa com seus colaboradores torna-se forte porque existe na cultura corporativa a valorização do estreito relacionamento entre a alta direção e os profissionais. “Promovemos reuniões periódicas com o gerente geral da empresa e todo o time formado por nossas lideranças. Realizarmos o Café da Manhã entre o gerente geral e a área de Recursos Humanos”, sintetiza Eliane Klabunde.
Recentemente, a diretora de RH cita que o diretor geral assinou um termo de compromisso com todos os colegas em eventos específicos e durante a realização da convenção para o departamento de Vendas. Na ocasião do evento, que ocorreu em Mogi das Cruzes/SP, foram ministradas palestras pelo consultor Max Gerihnger, que focou sua apresentação para a importância da motivação em uma empresa.
“Também contamos com a presença do ator Flávio de Souza Ramos que sensibilizou os presentes sobre os projetos sociais e com o consultor Steven Dubner, que na oportunidade também destacou assuntos relacionados ao ambiente organizacional. Essa convenção teve como principal objetivo motivar os funcionários, para que o ano de 2010 seja memorável. O nosso intuito era fazer com que os presentes entendessem a importância de cada pessoa para a companhia e que com eles a empresa poderá crescer”, relembra Klabunde, ao acrescentar que a receptividade do público, com cerca de 200 participantes, foi muito.
No encontro também foram realizadas ações nas fábricas da companhia – localizadas nas cidades de Cotia e Cruzeiros, no Estado de São Paulo, e em Fortaleza, no Ceará, onde um termo enorme de compromisso foi disponibilizado, para que os funcionários se sentissem protagonistas da história da empresa. Inclusive, o presidente da Intervet/Schering-Plough Animal Health, Vilson Antonio Simon foi a todas as plantas para falar sobre esse compromisso e assinar o termo junto com os colaboradores.
Para avaliar se os funcionários estão, de fato, motivados ou não, a Intervet/Schering-Plough Animal Health recorre à aplicação de pesquisas de clima e de cultura organizacional. Isso permite que se observe e a companhia tenha uma visão real do que ocorre internamente. Com base nos resultados das pesquisas, a empresa desenvolve planos de ação para atuar nos pontos de oportunidades que são identificados. Com isso, explica a diretora de Recursos Humanos, aumentam as chances de melhorar o ambiente interno e aumentar o engajamento, bem como o comprometimento das equipes.
“Todas as ações que motivacionais são desenvolvidas internamente. Contudo, quando necessário, contratamos consultores para atividades específicas, mas sempre alinhadas às práticas que desenvolvemos através da área de Recursos Humanos”, conclui Eliana Klabunde, ao ressaltar que as ações desenvolvidas pela empresa têm estimulado os profissionais, uma vez que a participação dos colaboradores é uma constante através da apresentação de sugestões para outras atividades ou iniciativas que visem a melhoria da companhia.
Patrícia Bispo – Formada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na Câmara Municipal do Recife e na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Atualmente, trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: www.rh.com.br, www.portodegalinhas.com.br e www.guiatamandare.com.br.
| | Comentar »Como Dar feedbacks
Por incrível que pareça, a prática de dar ou receber feedbacks ainda é algo que está longe da realidade de muitas empresas – especialmente no Brasil. Segundo a psicóloga Simoni Missel, diretora da Missel Capacitação Empresarial, a maioria dos brasileiros costuma vincular assuntos de trabalho a questões pessoais. Por isso, evitam dar feedbacks. “Usamos mais a emoção do que a razão”, explica.
Coordenadora de uma pesquisa feita recentemente com mais de 100 gestores, Simoni constatou que 87,2% deles confiam no feedback como ferramenta para melhorar a performance de suas equipes. No entanto, 37,8% admitem ter pouca ou nenhuma abertura para discutir problemas com seus subordinados. “Muitos gestores encontram dificuldades para avaliar desempenhos e, hoje, as empresas precisam cada vez mais de produtividade”, afirma. Como conseguir melhores resultados? “A única forma de desenvolver pessoas é por meio do feedback”, avalia a psicóloga. “Quem não souber fazer isso, vai sobrar no mercado”, complementa.
Na opinião de Simoni, os jovens lidam mais facilmente com feedbacks dos que os profissionais mais experientes. “A geração Y é muito prática e franca. Eles pedem desculpas, admitem erros, cobram, se aperfeiçoam. É bem diferente daquela cultura de antigamente, da geração X, que foi criada escondendo erros e dificuldades”, destaca Simoni. Estudiosa do tema há mais de 12 anos, a psicóloga considera o feedback a ferramenta de gestão ideal para solucionar conflitos entre gerações. E, de quebra, ajudar a melhorar a produtividade das equipes. “Existe a maneira certa de se dar um feedback. É aquela velha história: nem sempre é o que se diz, mas como se diz”, explica. Ela lembra, ainda, que dar um feedback vai além de um simples “passar a informação adiante”: “Precisa ser racional, prático, focado em situações e sugerindo mudanças”.
Mas não é porque os jovens se mostram abertos a feedbacks que os cinquentões devem ser excluídos do mercado. Nada disso. Apesar de os mais novos serem “os grandes agentes de mudanças nas organizações”, as empresas precisam – e muito – de colaboradores experientes. “A mentalidade dos jovens é fundamental para que os mais velhos não se acomodem e saiam da zona de conforto. Sem eles, as empresas podem ter prejuízos enormes”.
Ricardo Lacerda, da redação da Revista Amanhã
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