Meu Velho

Postado em 31 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

José / Piero – Vs. Nazareno de brito

É um bom tipo meu velho

Que anda só e carregando

Sua tristeza infinita

De tanto seguir andando

Eu o estudo desde longe

Porque somos diferentes

Ele cresceu com os tempos

Do respeito e dos mais crentes

Velho, meu querido velho

Agora caminha lento

Como perdoando o vento

Eu sou teu sangue meu velho

Teu silêncio e o teu tempo

Seus olhos são tão serenos

Sua figura é cansada

Pela idade foi vencido

Mas caminha sua estrada

Eu vivo os dias de hoje

Em ti o passado lembra

Só a dor e o sofrimento

Tem sua história sem tempo

Velho, meu querido velho

Agora caminha lento

Como perdoando o vento

Eu sou teu sangue meu velho

Teu silêncio e teu tempo

Velho, meu querido velho

Eu sou teu sangue meu velho

Teu silêncio e teu tempo

Velho, meu querido velho

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Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo – Roberto Carlos

Postado em 31 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Esses seus cabelos brancos, bonitos, esse olhar cansado, profundo

Me dizendo coisas, num grito, me ensinando tanto do mundo…

E esses passos lentos, de agora, caminhando sempre comigo,

Já correram tanto na vida,

Meu querido, meu velho, meu amigo

Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo,

Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas, ao vento…

Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo

Me calando fundo na alma

Meu querido, meu velho, meu amigo

Seu passado vive presente nas experiências

Contidas nesse coração, consciente da beleza das coisas da vida.

Seu sorriso franco me anima, seu conselho certo me ensina,

Beijo suas mãos e lhe digo

Meu querido, meu velho, meu amigo

Eu já lhe falei de tudo,

Mas tudo isso é pouco

Diante do que sinto…

Olhando seus cabelos, tão bonitos,

Beijo suas mãos e digo

Meu querido, meu velho, meu amigo

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Eros e Psiquê

Postado em 31 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada

A quem só despertaria

Um Infante, que viria

De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,

Antes que, já libertado,

Deixasse o caminho errado

Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera,

Sonha em morte a sua vida,

E orna-lhe a fronte esquecida,

Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,

Rompe o caminho fadado,

Ele dela é ignorado,

Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino

Ela dormindo encantada,

Ele buscando-a sem tino

Pelo processo divino

Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada fora,

E falso, ele vem seguro,

E vencendo estrada e muro,

Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,

Ergue a mão, e encontra hera,

E vê que ele mesmo era

A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

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Samba da Bênção

Postado em 31 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Vinicius de Moraes / Baden Powell

Cantado

É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe

É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza

É preciso um bocado de tristeza

Senão, não se faz um samba não

Falado

Senão é como amar uma mulher só linda

E daí? Uma mulher tem que ter

Qualquer coisa além de beleza

Qualquer coisa de triste

Qualquer coisa que chora

Qualquer coisa que sente saudade

Um molejo de amor machucado

Uma beleza que vem da tristeza

De se saber mulher

Feita apenas para amar

Para sofrer pelo seu amor

E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada

E quem faz samba assim não é de nada

O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança

E a tristeza tem sempre uma esperança

A tristeza tem sempre uma esperança

De um dia não ser mais triste não

Falado

Feito essa gente que anda por aí

Brincando com a vida

Cuidado, companheiro!

A vida é pra valer

E não se engane não, tem uma só

Duas mesmo que é bom

Ninguém vai me dizer que tem

Sem provar muito bem provado

Com certidão passada em cartório do céu

E assinado embaixo: Deus

E com firma reconhecida!

A vida não é brincadeira, amigo

A vida é arte do encontro

Embora haja tanto desencontro pela vida

Há sempre uma mulher à sua espera

Com os olhos cheios de carinho

E as mãos cheias de perdão

Ponha um pouco de amor na sua vida

Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência

E vai ver que ninguém no mundo vence

A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia

E se hoje ele é branco na poesia

Se hoje ele é branco na poesia

Ele é negro demais no coração

Falado

Eu, por exemplo, o capitão do mato Vinicius de Moraes Poeta e diplomata

O branco mais preto do Brasil Na linha direta de Xangô, saravá!

A bênção, Senhora A maior ialorixá da Bahia Terra de Caymmi e João Gilberto

A bênção, Pixinguinha Tu que choraste na flauta Todas as minhas mágoas de amor

A bênção, Sinhô, a benção, Cartola

A bênção, Ismael Silva Sua bênção, Heitor dos Prazeres

A bênção, Nelson Cavaquinho

A bênção, Geraldo Pereira

A bênção, meu bom Cyro Monteiro Você, sobrinho de Nonô

A bênção, Noel, sua bênção, Ary

A bênção, todos os grandes Sambistas do Brasil Branco, preto, mulato Lindo como a pele macia de Oxum

A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim Parceiro e amigo querido Que já viajaste tantas canções comigo E ainda há tantas por viajar

A bênção, Carlinhos Lyra Parceiro cem por cento Você que une a ação ao sentimento

E ao pensamento

A bênção, a bênção, Baden Powell Amigo novo, parceiro novo Que fizeste este samba comigo A bênção, amigo

A bênção, maestro Moacir Santos Não és um só, és tantos como O meu Brasil de todos os santos Inclusive meu São Sebastião Saravá! A bênção, que eu vou partir

Eu vou ter que dizer adeus

Ponha um pouco de amor numa cadência E vai ver que ninguém no mundo vence

A beleza que tem um samba, não Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração

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Café-Da-Manhã Na Cama

Postado em 24 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

A Estrela da manhã mostra seu brilho,

Que sobre mim encontra o seu repouso.

Dona Misericórdia, linda como teu Filho,

Me acorda, renovada, e louvá-la eu ouso.

Dá o Pão da vida e o fôlego de cada dia,

Os quais mandaste, com amor paterno.

“Que haja vida!”- E há – isso eu já sabia,

Pois a história é submissa ao Rei eterno.

Misericórdia, então, me banha em sangue,

E de pronto me põe novas vestes de justiça.

Me olho no espelho, antes que eu me zangue,

Mas já não mais sou velho, e isso me atiça.

Sim, acordei velho, desgastado pelo mal,

Mas eu fui banhado em sangue e feito novo.

A vida que vivo não é minha, mas celestial,

Me ponho, maravilhado, a comer o pão e o ovo.

O dia de hoje será de ontem, diferente.

Não serei mais a mão do traidor à mesa,

Porque agora sou teu filho, teu parente;

Me chamas amigo, não servo, que beleza!

Assim também te chamarei Senhor,

E nunca mais mero tolo, ou inimigo.

Retiro a coroa de espinhos e seu odor

Para por-lhe uma de oliveiras, e te sigo.

Pois venceste a corrida até a minh´alma.

Chegaste antes da morte, dela me livraste

E agora louvo o teu nome com palmas,

O ponho numa bandeira, e esta, na haste.

Louvado sejas tu, ó Deus, hoje e sempre,

Pois nos teus átrios posso fazer morada,

Pelo Verbo divino, com que chamou dentre

Os que dormem, tua raça eleita e amada.

(PS:Todo dia de manhã no jornal, ou a noite, na TV, Vejo que Deus é bom, mas o Homem não o vê.)

Publicado no site: O Melhor da Web em 13/05/2009 – Código do Texto: 24959

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A Felicidade

Postado em 22 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem parar

A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do carnaval

A gente trabalha o ano inteiro

Por um momento de sonho

Pra fazer a fantasia

De rei ou de pirata ou jardineira

Pra tudo se acabar na quarta-feira

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A felicidade é como a gota

De orvalho numa pétala de flor

Brilha tranqüila

Depois de leve oscila

E cai como uma lágrima de amor

A felicidade é uma coisa boa

E tão delicada também

Tem flores e amores

De todas as cores

Tem ninhos de passarinhos

Tudo de bom ela tem

E é por ela ser assim tão delicada

Que eu trato dela sempre muito bem

Tristeza não tem fim

Felicidade sim

A minha felicidade está sonhando

Nos olhos da minha namorada

É como esta noite, passando, passando

Em busca da madrugada

Falem baixo, por favor

Pra que ela acorde alegre com o dia

Oferecendo beijos de amor

Vinicius de Moraes

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Clarice Lispector

Postado em 22 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

“Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou.

Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade.

Não sei viver de mentira.

Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre”

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Águas de Marrecas (Gereraú)

Postado em 3 de julho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Biblioteca Comunitária Denise Ferreira Luz /  Alto do Bode – Gereraú – ITAITINGA – CE.Dezembro/2009. / Poeta do Gereraú: Daniel Perroni Ratto de Morais da Costa.

Existe um lugar

Onde a magia existe

Esta é coisa simples

A natureza vai mostrar.

Pássaros voam livres

Flores colorem o verde

É muito verde !

Frutas vivem.

No céu o gavião sobrevoa

Imponente

Aqui a lagoa destoa

Intermitente.

“Soinhos” pulam da mangueira

Anus pretos nos cajueiros

A família de raposas, caça

E a coruja espreita.

Nas casas de taipa

O fogão à lenha queima sabiá

Para alimentar o caboclo

É madeira que faz estaca.

As redes no alpendre

O vento nas folhas

A vida no ventre

A esperança nas chuvas.

Como é bom!

Comer caju no pé

Ou chupar manga coité

Colher o milho plantado

E vê-lo feito assado.

Tem cururu do tamanho de sapato

De fato, o mel é das africanas

No pé, sandálias havaianas

E o menino leva o recado.

As estradas ainda são de piçarra

O povo é daqueles que faz pirraça

Carroças e charretes insistem em andar

Levando vida daqui para acolá

Esse lugar começou

Com uma família Ferreira

Gente guerreira

Bem que se queira

Juntou-se à família Siqueira

Fazendo estória verdadeira.

Esse lugar das Águas de Marrecas

Pelos índios, chamado Jererahú

Perpetua a magia das estórias

Que aparecem nos sonhos do Uirapuru.

Recebido de Mirtes Costa

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O Sonho

Postado em 17 de junho de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Sonhe com aquilo que você quer ser,

porque você possui apenas uma vida

e nela só se tem uma chance

de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades

que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem

a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

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Você Não Me Ensinou A Te Esquecer

Postado em 18 de maio de 2010 · por Profª. Rita Alonso Poesia ·  

Não vejo mais você faz tanto tempo

Que vontade que eu sinto

De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços

É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo

Já cheguei a tal ponto

De me trocar diversas vezes por você

Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar

E só mais uma vez me aceitar

Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

E te querendo eu vou tentando te encontrar

Vou me perdendo

Buscando em outros braços seus abraços

Perdido no vazio de outros passos

Do abismo em que você se retirou

E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

e te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desespero em que me vejo

já cheguei a tal ponto

de me trocar diversas vezes por você

só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar

E só mais uma vez me aceitar

Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

E te querendo eu vou tentando te encontrar

Vou me perdendo

Buscando em outros braços seus abraços

Perdido no vazio de outros passos

Do abismo em que você se retirou

E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

e te querendo eu vou tentando te encontrar

Vou me perdendo

Buscando em outros braços seus abraços

Perdido no vazio de outros passos

Do abismo em que você se retirou

E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?

Você não me ensinou a te esquecer

Você só me ensinou a te querer

e te querendo eu vou tentando me encontrar

Fernando Mendes / José Wilson / Lucas

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